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Eleição presidencial pode ser decidida no 1° turno, diz fundador de instituto de pesquisa

Urna eletrônica após uma votação. Foto: reprodução

A eleição de 2026 pode ser decidida no primeiro turno, algo que não ocorre no Brasil desde 1998. A avaliação é do fundador do Instituto Ideia, Maurício Moura. Em artigo publicado pelo Globo, nesta quinta-feira (9), o economista destacou que, pela primeira vez, não há candidato de esquerda disputando votos com Lula (PT), enquanto a oposição se fragmenta no mesmo espectro da direita, sem opção de centro:

Na Copa da França de 1998, o jogo entre os anfitriões e o Paraguai pelas oitavas de final encerrou-se com o triunfo francês por 1 a 0, após o gol de ouro. […] O ano de 1998 também foi o último em que a eleição presidencial brasileira foi decidida no primeiro turno. Em 2026, não teremos morte súbita na Copa, mas podemos ter uma disputa pelo Planalto encerrada no primeiro turno. As chances são reais.

Para começar, será a primeira vez que não haverá disputa na esquerda que possa tirar votos significativos do incumbente. […]

Todavia, na partida de 2026, o placar de votos de Lula deve ser muito semelhante entre os dois turnos. O “mercado” disponível de votos para o PT em eventual segundo turno será extremamente restrito. Certamente, sua campanha vai focar em levar já na primeira volta.

Do lado da oposição, os escalados ocupam basicamente o mesmo espectro tático-eleitoral. Tanto Flávio Bolsonaro como Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Renan Santos e até mesmo Aldo Rebelo ocupam exatamente a mesma lateral direita. No momento, o senador pelo Rio de Janeiro tem o bônus de um sobrenome conhecido e o ônus de uma rejeição alta preestabelecida. Com esse time, os eleitores brasileiros não terão uma opção de centro nem no banco de reservas.

O presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro. Foto: reprodução

[…] Ao constatar o risco real de Lula vencer já em 4 de outubro, haverá uma pressão social, política e mental enorme, entre eleitores de oposição, para descarregar votos em um candidato que possa evitar a vitória petista. Não se assustem se ouvirem recorrentemente a expressão “melhor acabar logo no primeiro turno” na reta final

[…] Por último, se os líderes das pesquisas seguirem sendo o presidente Lula, de um lado, e Flávio Bolsonaro, do outro, a alta rejeição de ambos pode aumentar os votos brancos e nulos. Como ambos são excluídos da matemática de votos válidos, essa dupla rejeição pode contribuir para o final antecipado da disputa.

Portanto, com esse esquema de jogo — um vazio na ala esquerda, oposicionistas na mesma faixa do campo, o antipetismo de chegada pedindo bola e a pouca paciência para um pleito com prorrogação e pênaltis —, o apito final de 2026 pode vir antes e subitamente.