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Marina Silva x Heloísa Helena: entenda o racha no Rede Sustentabilidade

Marina Silva e Heloísa Helena. Foto: reprodução

A crise interna da Rede Sustentabilidade ganhou um novo capítulo após a direção nacional do partido reagir com dureza à decisão de Marina Silva de permanecer na legenda. Em nota divulgada na última terça-feira (7), o grupo comandado por Paulo Lamac, aliado da deputada federal Heloísa Helena, afirmou ter recebido com “indignação e perplexidade” o anúncio feito pela ex-ministra do Meio Ambiente no fim de semana.

A cúpula da sigla também acusou Marina de se recusar a dialogar com a instância máxima do partido e negou que tenha sugerido, em qualquer momento, o afastamento da ministra do governo Lula (PT).

Após meses de indefinição e convites de outras legendas, como PT e PSB, Marina afirmou que decidiu permanecer na Rede para “retomar valores basilares” do partido.

Mesmo diante do avanço dos conflitos internos e da saída de aliados importantes, ela vinha repetindo nos bastidores que lutaria “até o fim” para continuar na sigla que ajudou a fundar. O problema é que a disputa interna se agravou justamente em meio ao calendário eleitoral, o que elevou o peso político da decisão.

Na resposta à ala ligada à ministra, a direção nacional rebateu as acusações de desrespeito ao “princípio horizontal estruturante” da legenda e afirmou que sua eleição ocorreu de “forma democrática”.

Heloísa Helena e Marina Helena antes do racha. Foto: reprodução

“A Rede não tem dono. É um partido construído para conviver com divergências, sem submissão a vontades individuais. Não atender pretensões pessoais de uma liderança não é autoritarismo. É compromisso com a vida democrática interna. Democracia exige respeito às decisões coletivas, e não o direito de uma minoria de paralisar o partido, judicializar impasses políticos ou tentar bloquear suas contas”, sustentou o comando partidário.

A reação foi respondida por aliados de Marina. “No fundo, a nota da direção atual da Rede termina por reforçar o que tenta negar. Mas nós seguimos acreditando que a boa política se faz com a pluralidade de pensamentos”, disse ao Globo Giovanni Mockus, aliado da ministra derrotado por Lamac na disputa interna. A fala reforça a leitura do grupo marinista de que a crise vai além de uma divergência pontual e reflete uma disputa mais profunda sobre o rumo da legenda.

Mesmo em meio ao conflito, Marina deixou claro que mantém a intenção de concorrer. A Rede, que integra federação com o PSOL, já declarou apoio à campanha de reeleição do presidente Lula e também à candidatura de Fernando Haddad ao governo de São Paulo. Marina se colocou à disposição para disputar a segunda vaga ao Senado na chapa de Haddad, embora a definição ainda não tenha sido anunciada.

Em entrevista à GloboNews, a ex-ministra afirmou que o embate interno não inviabiliza sua candidatura. “Eu não posso permanecer fazendo de conta que vários diretórios legitimamente eleitos não foram dissolvidos e foram impostas direções provisórias. Eu não posso negar que existem divergências em relação ao programa, ao estatuto, aos princípios fundantes pelos quais milhares e milhares de pessoas se mobilizaram para coletar assinaturas”, argumentou.