
O papa Leão XIV voltou a condenar os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã e classificou o conflito como uma “guerra injusta”, em manifestação feita na noite de quarta-feira (8). Nos últimos dias, o pontífice já havia criticado as ameaças de Donald Trump contra o povo iraniano e intensificado seus apelos por uma saída diplomática para a crise, em meio à escalada militar no Oriente Médio.
Ao comentar o conflito, Leão XIV reforçou que a guerra não oferece solução e apenas aprofunda a instabilidade internacional. “Eu simplesmente diria mais uma vez o que disse na mensagem de domingo, pedindo a todas as pessoas de boa vontade que busquem sempre a paz e não a violência, que rejeitem a guerra, especialmente uma guerra que muitas pessoas disseram ser uma guerra injusta, que continua a se agravar e que não resolve nada”, afirmou o papa.
Na mesma fala, o líder da Igreja Católica relacionou a ofensiva militar a um cenário global já marcado por crise econômica, crise energética e aumento do ódio.
“Na verdade, temos uma crise econômica mundial, crise energética, uma situação no Oriente Médio de grande instabilidade que só está provocando mais ódio em todo o mundo”, disse. Em seguida, voltou a defender a retomada das negociações. “Então, voltem à mesa, vamos conversar, vamos procurar soluções de forma pacífica e vamos lembrar especialmente dos inocentes, das crianças, dos idosos, dos doentes, de tantas pessoas que já se tornaram ou se tornarão vítimas desta guerra contínua”, declarou.
Leão XIV também fez um alerta direto sobre os bombardeios contra estruturas civis, como pontes e usinas de energia. “As pessoas querem paz. Eu convidaria os cidadãos de todos os países envolvidos a entrarem em contato com as autoridades, líderes políticos, congressistas, para pedir a eles, dizer a eles para trabalharem pela paz e rejeitarem sempre a guerra”, finalizou.
“REJECT THE UNJUST WAR” – POPE LEO pic.twitter.com/93Nh3fWCmm
— Robin Monotti (@robinmonotti) April 9, 2026
As declarações reforçam a posição que o papa já havia adotado na terça-feira (7), quando classificou como “inaceitáveis” as ameaças contra o povo iraniano feitas por Trump. O presidente dos Estados Unidos havia afirmado que “uma civilização inteira morrerá” caso o Irã não aceitasse as condições impostas por Washington para a reabertura do Estreito de Ormuz.
A tensão aumentou ainda mais após a divulgação de que o subsecretário de Defesa para Política dos Estados Unidos, Elbridge Colby, convocou para uma reunião reservada no Pentágono o cardeal Christophe Pierre, embaixador do Vaticano no país.
Segundo reportagem do site The Free Press, o encontro teve tom de advertência. “Os Estados Unidos têm poder militar para fazerem o que quiserem no mundo”, disseram Colby e seus colegas ao cardeal. “A Igreja Católica deveria tomar um lado”.
Dentro do Vaticano, a reunião foi interpretada como resposta direta às críticas de Leão XIV ao avanço de uma mentalidade belicista. O papa já vinha alertando que “a guerra voltou a estar na moda” e que a diplomacia baseada no diálogo está sendo abandonada em favor da confrontação.