
O empresário Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), intensificou o movimento para aproximar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do empresariado paulista e recebeu, na noite de segunda-feira (6), o pré-candidato do PL ao Palácio do Planalto em um jantar em sua casa, em São Paulo.
O encontro reuniu cerca de 20 empresários, além do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e do prefeito Ricardo Nunes (MDB-SP), em mais um gesto político para fortalecer a interlocução de Flávio com o setor produtivo em meio à corrida de 2026.
Esse foi o segundo evento organizado por Skaf com esse objetivo. Em 12 de fevereiro, o presidente da Fiesp já havia oferecido um almoço ao senador na sede instituição, na Avenida Paulista. Agora, o jantar ampliou o peso político da articulação ao reunir acionistas de empresas que, juntas, faturam cerca de R$ 750 bilhões e respondem por 2 milhões de empregos diretos e indiretos.
A presença de Tarcísio e Ricardo Nunes deu ao encontro um sentido adicional de demonstração pública de unidade. Os dois chegaram depois porque antes participaram de uma cerimônia na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) em homenagem ao ministro do André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Flávio também esteve acompanhado do senador Rogério Marinho, coordenador de sua campanha, reforçando o caráter estratégico da reunião.
A movimentação ocorre num momento em que Skaf reassume protagonismo no debate político e econômico paulista. De volta ao comando da Fiesp no início de 2026, ele sucedeu Josué Gomes da Silva, empresário próximo de Lula e filho de José Alencar, que foi vice do petista em seus dois primeiros mandatos.
Crítico do modelo econômico do PT, Skaf vem reposicionando a entidade em um cenário de maior confronto com pautas defendidas pelo governo federal.
Esse embate aparece com força no debate sobre o projeto que prevê o fim da jornada de trabalho 6×1. Nesta quinta-feira (9), o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, será recebido por Skaf em um jantar na sede da Fiesp, justamente após a divulgação de um manifesto liderado pela CNI e assinado por 400 entidades contrárias às mudanças trabalhistas apoiadas pelo governo. A agenda mostra que a entidade tenta se consolidar como polo de resistência empresarial à proposta.