
O empresário Roberto Leme entregou ao Ministério Público de São Paulo (MP-SP) os anexos de sua proposta de delação premiada, com informações sobre um esquema investigado na operação Carbono Oculto, segundo a coluna de Mônica Bergamo na Folha de S.Paulo. Nos documentos, ele se compromete a detalhar a atuação de servidores públicos e magistrados do Estado em um sistema de fraudes fiscais, sonegação e lavagem de dinheiro de grande escala.
A operação foi deflagrada em agosto de 2025 e investiga a infiltração do crime organizado em setores da economia formal. Como parte da proposta, o empresário também apresentou dados de corroboração e dezenas de celulares utilizados por ele. Segundo a defesa, os aparelhos podem fornecer elementos que comprovem os crimes relatados.
A delação não envolve autoridades com foro privilegiado em Brasília. Em 2025, a Procuradoria-Geral da República (PGR) já rejeitou uma versão anterior da proposta, que citava nomes como o senador Davi Alcolumbre.

Na ocasião, reportagens indicaram que o empresário teria oferecido benefícios ao parlamentar em troca de apoio para reverter decisões da Agência Nacional do Petróleo contra sua empresa, a Copape. O senador nega qualquer irregularidade.
Foragido, Beto Louco passou semanas em contato com advogados para estruturar os anexos, que funcionam como uma prévia do conteúdo da delação. Ele também aceitou a possibilidade de ressarcir o Estado com valores milionários, etapa considerada sensível nesse tipo de negociação.
A decisão sobre a homologação caberá ao procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sergio de Oliveira e Costa. A avaliação envolverá os benefícios jurídicos ao empresário e o potencial de recuperação de recursos públicos.