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Governo Lula fecha acordo com EUA para combater tráfico de armas e drogas

Os presidentes Donald Trump e Lula. Foto: Divulgação

O Ministério da Fazenda informou que está finalizando um acordo entre a Receita Federal e a U.S. Customs and Border Protection (CBP), órgão de fronteiras dos Estados Unidos, para intensificar o combate ao crime organizado transnacional. A parceria envolve troca de informações e atuação conjunta entre os dois países.

A iniciativa recebeu o nome de Projeto MIT (Mutual Interdiction Team) e tem como foco integrar inteligência e operações para interceptar remessas ilegais, especialmente de armas e drogas. A proposta inclui monitoramento de cargas e atuação coordenada em pontos estratégicos como portos e aeroportos.

Segundo o secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, nos últimos doze meses foram apreendidos cerca de meia tonelada de armamentos em território brasileiro. No mesmo período, também foram interceptadas aproximadamente 1,5 toneladas de entorpecentes, com predominância de drogas sintéticas e haxixe.

“A cooperação está inserida no contexto do diálogo entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e integra uma agenda mais ampla de cooperação bilateral voltada ao enfrentamento do crime organizado transnacional”, informou o governo.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan. Foto: Divulgação

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o acordo prevê o compartilhamento de dados sobre contêineres que saem dos Estados Unidos com destino ao Brasil. As informações serão combinadas com inteligência brasileira para identificar possíveis envios ilegais antes da chegada ao país.

A parceria inclui ainda o lançamento do sistema “Desarma”, desenvolvido pela Receita Federal para ampliar o rastreamento internacional de armas. A ferramenta permitirá o compartilhamento em tempo real de informações sempre que cargas com origem americana envolverem armamentos, munições, peças ou explosivos.

O sistema Desarma foi desenvolvido para permitir a troca organizada e em tempo real de dados entre Brasil e Estados Unidos. A medida será aplicada “sempre que a aduana brasileira identificar produtos de origem americana, relacionada a armas, munições, peças, componentes, explosivos e outros itens sensíveis”.

“Se a prevenção não der conta de impedir [o envio de armas ao Brasil], dentro do ‘Desarma’ vai haver uma notificação de volta para as autoridade norte-americanas, identificando qual o tipo de arma, de onde chegou, para que eles melhorem os procedimentos e sigam entregando melhores informações. Há grande reciprocidade, com mais informação e mais inteligência”, disse o ministro.

O anúncio ocorre em meio a discussões nos Estados Unidos sobre a possibilidade de classificar facções brasileiras como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A medida vem sendo debatida após articulações de Eduardo Bolsonaro e Flávio Bolsonaro junto ao governo americano, conforme reportagem do jornal “The New York Times”.