Logo DCM
Logo DCM
Apoie o DCM

Justiça torna bolsonarista Lucas Bove réu por descumprir medidas protetivas de Cíntia Chagas

Cíntia Chagas e Lucas Bove. Foto: reprodução

A Justiça de São Paulo aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público contra o deputado estadual Lucas Bove (PL-SP) por descumprimento de medidas protetivas concedidas à ex-esposa, a influenciadora Cintia Chagas. Com a decisão, o parlamentar passa a responder formalmente a mais uma ação judicial ligada ao caso de violência doméstica envolvendo o casamento dos dois, que durou cerca de três meses em 2024.

Os advogados de Bove haviam pedido a rejeição da denúncia sob o argumento de quebra da cadeia de custódia e ausência de justa causa para o prosseguimento do processo. A tese, porém, foi rejeitada pela Justiça. Na decisão, o juiz Felipe Pombo Rodriguez atribuiu ao deputado ao menos dez episódios de descumprimento das medidas protetivas impostas em favor de Cintia Chagas.

A nova ação amplia a situação judicial do parlamentar, que já havia sido denunciado pelo Ministério Público por perseguição, violência psicológica, violência física e ameaça. Caso seja condenado especificamente pelo descumprimento das medidas protetivas, Lucas Bove poderá cumprir pena que varia de três meses a dois anos de detenção.

Em nota enviada ao Metrópoles, a defesa do deputado afirmou que ele “nega veemente todas as infundadas acusações formuladas por Cintia Maria Chagas. Reforça que nunca praticou qualquer ilicitude, nunca a ameaçou ou a agrediu, esclarecendo que recebeu com enorme surpresa o recebimento da denúncia, diante da precariedade do coligido na investigação e que a desmente”.

Os advogados também sustentaram que estão adotando as medidas cabíveis para esclarecer os fatos e insistiram na inocência do parlamentar.

O réu Lucas Bove e o condenado Jair Bolsonaro. Foto: reprodução

A manifestação da defesa também procurou afastar impacto eleitoral imediato sobre o caso. Segundo os advogados, Lucas Bove “está adotando todas as medidas cabíveis para o adequado esclarecimento dos fatos, reiterando que Lucas confia na Justiça e permanece empenhado em comprovar a sua plena inocência, complementando que isso não representa óbice ou impedimento à sua candidatura nas eleições deste ano”.

O avanço do processo judicial ocorre enquanto a situação política do deputado segue em compasso mais lento na Assembleia Legislativa de São Paulo.

Em agosto de 2025, o Conselho de Ética da Alesp decidiu arquivar a denúncia por quebra de decoro parlamentar relacionada às acusações feitas por Cintia Chagas. O placar foi de seis votos favoráveis ao arquivamento e apenas um contrário, o da deputada Ediane Maria (PSOL), única mulher e única parlamentar de oposição presente na reunião.

Nos bastidores da Assembleia, parlamentares ouvidos pelo Metrópoles afirmam que o caso com maior potencial de levar à cassação do mandato de Lucas Bove está, na prática, sendo enterrado pela Casa.

Isso porque a representação continua arquivada no Conselho de Ética, mesmo com o novo avanço da esfera judicial. Assim, enquanto a pressão sobre o deputado cresce nos tribunais, o ambiente político interno da Alesp segue dando sinais de blindagem ao aliado de Jair Bolsonaro.