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Indígenas em Brasília apoiam Lula, mas exigem mais ações em defesa dos direitos territoriais

Imagem de indígenas em protesto durante o Acampamento Terra Livre em Brasília

Organizações indígenas reunidas no Acampamento Terra Livre (ATL), em Brasília, divulgaram uma carta aberta em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O documento, assinado pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e outras sete organizações, foi publicado na sexta-feira (10). No entanto, o apoio é condicionado, com críticas a algumas políticas do governo e à exploração de petróleo na Foz do Amazonas.

No texto intitulado “Nosso apoio demanda compromisso”, as organizações manifestam apoio à reeleição, mas destacam que “persistem contradições” nas decisões do governo, especialmente no que diz respeito à exploração de recursos naturais. As entidades enfatizam a importância da demarcação de terras indígenas e da proteção física e cultural dos povos originários.

O acampamento, que começou na segunda-feira (6) e durou a semana inteira, reuniu lideranças indígenas para discutir questões urgentes, como a preservação ambiental e a proteção territorial. As organizações solicitam mais estrutura e orçamento para políticas públicas que atendam às necessidades dos povos indígenas, além de cobrar ações concretas em relação às crises climáticas.

O manifesto afirma que, embora tenha havido avanços, como a criação do Ministério dos Povos Indígenas e a retomada de demarcações, os progressos não são suficientes diante da “urgência do momento”. O texto também critica a pressão por grandes empreendimentos, como a exploração de petróleo na Foz do Amazonas, que pode afetar os territórios indígenas.

O presidente Lula

Em 5 de fevereiro de 2026, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) autorizou a Petrobras a retomar a perfuração do poço Morpho, na bacia da Foz do Amazonas, após um incidente de vazamento de fluido de perfuração. A operação foi suspensa por um mês, mas a empresa garante que não houve risco ambiental.

A Petrobras foi multada em R$ 2,5 milhões pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) pelo vazamento. A empresa também solicitou ao Ibama a permissão para perfurar mais três poços na bacia da Foz do Amazonas, o que está sendo analisado pelas autoridades ambientais.

O manifesto das organizações indígenas pede que a demarcação de terras seja colocada no centro da política climática. Segundo o texto, a exploração de recursos naturais nos territórios indígenas deve ser combatida, pois continua sendo realizada sob uma nova linguagem, que não protege efetivamente os direitos dos povos originários.

A carta aberta, apesar de apoiar a reeleição de Lula, mostra a disposição das organizações indígenas em cobrar e pressionar por mudanças nas políticas que afetam diretamente suas vidas e os territórios que habitam.