
O senador Jorge Seif Jr. (PL-SC) provocou nova crise no bolsonarismo ao publicar uma mensagem considerada machista ao analisar o peso do eleitorado feminino nas eleições. Ao lembrar que, em 2022, as mulheres representavam 52% dos votantes e deram cerca de 45% das intenções de voto a Lula, contra 29% para Jair Bolsonaro, afirmou que “o Brasil não pode errar de novo” e conclamou: “Especialmente quem pode influenciar mulheres. Estão esperando o que?”
Em 2022, as mulheres representavam 52% do eleitorado brasileiro.
Nesse grupo, Lula teve cerca de 45% das intenções de voto, enquanto Jair Bolsonaro ficou em torno de 29%.
No resultado final, a eleição foi decidida no detalhe: 50,9% x 49,1%.
Política não é vaidade.
É leitura…
— 🇧🇷 Jorge Seif Junior (@jorgeseifjunior) April 12, 2026
A fala repercutiu negativamente e ampliou um ambiente já tensionado dentro do PL, marcado por disputas internas sobre estratégias políticas. O episódio ocorre em meio à corrida por protagonismo na direita, especialmente na articulação de pautas ligadas ao projeto da dosimetria.
Dias antes, Seif já havia causado incômodo ao minimizar a pressão feita por parlamentares e influenciadores nas redes sociais, ao afirmar que “pressão de internet é ótima pra like e monetização. Mas não é efetiva”, atribuindo a si a articulação que levou Davi Alcolumbre (União-AP) a pautar o tema após conseguir 31 assinaturas no Senado.
Pessoal, foi uma vitória do Brasil. Pressão de internet é ótima pra like e monetização. Mas não é efetiva. Se funcionasse, Moraes não era mais ministro, Bolsonaro estaria solto, Flávio Dino teria sido reprovado e teríamos anistia hoje. Política que funciona ainda é no bastidor,… pic.twitter.com/uozbruYTMR
— 🇧🇷 Jorge Seif Junior (@jorgeseifjunior) April 9, 2026
A declaração foi vista como provocação a aliados, entre eles o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), que vinha atuando publicamente pela pauta. Em reação, Nikolas chamou o senador de “vagabundo” em um grupo de WhatsApp da oposição, acusando-o de desmerecer o trabalho coletivo — episódio que acabou vazado e expôs o conflito.

A crise escalou nas redes sociais, com troca de ataques entre aliados. Seif chegou a ofender influenciadores ligados a Nikolas, chamando-os de “putinhas do Nikolas” em publicação posteriormente apagada, o que gerou novas reações, críticas públicas e ameaças de processos.
O episódio se soma ao desgaste recente entre Nikolas Ferreira e Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que também disputam espaço dentro do bolsonarismo. A tensão entre os dois já vinha sendo marcada por indiretas e divergências sobre liderança e estratégia política.
A sequência de embates expõe um racha mais amplo na direita, em meio às articulações para as eleições de 2026.