
A dívida da Argentina com o Fundo Monetário Internacional (FMI) atingiu cerca de US$ 57,25 bilhões, registrando um aumento de 36% em relação a abril de 2025, quando o país firmou um novo acordo de facilidades estendidas com o organismo.
Atualmente, a Argentina acumula um endividamento de 41,789 bilhões de Direitos Especiais de Saque (DEG) e segue como o maior devedor do FMI, concentrando aproximadamente 34,5% de todos os créditos ainda pendentes de pagamento da instituição.
Metas descumpridas e pressão financeira
O acordo firmado pelo governo de Javier Milei tinha como objetivo fortalecer as reservas do Banco Central por meio de desembolsos que somariam US$ 20 bilhões — dos quais US$ 12,398 bilhões já foram liberados.
Na primeira revisão do programa, concluída em julho de 2025, o país conseguiu cumprir as metas fiscais, mas falhou no objetivo de recompor as reservas internacionais. Diante disso, o FMI concedeu uma dispensa e flexibilizou as metas futuras.

Já a segunda revisão, iniciada em fevereiro deste ano e ainda em andamento, é considerada crucial, pois pode destravar um novo repasse de US$ 1 bilhão. No entanto, consultores privados apontam que a Argentina voltou a descumprir a meta de reservas, encerrando 2025 com saldo negativo de cerca de US$ 14 bilhões — bem abaixo da meta de déficit de US$ 1 bilhão.
Vencimentos à vista
Além das dificuldades em cumprir metas, o país enfrenta um calendário apertado de pagamentos. Até o fim de 2026, a Argentina terá que quitar aproximadamente US$ 3,605 bilhões junto ao FMI. O próximo vencimento, de US$ 805 milhões, está previsto para maio.
Diante desse cenário, o ministro da Economia, Luis Caputo, deve viajar a Washington na próxima semana para participar das reuniões de primavera do FMI e tentar avançar nas negociações com o organismo.