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O cofre de ouro dos EUA que guarda US$ 1 trilhão e gera tensão na Europa

Cofre de ouro nos EUA. Imagem: reprodução

A cerca de 25 metros abaixo da Liberty Street, em Nova York, o Federal Reserve (Fed) mantém o maior cofre de ouro do mundo, com mais de meio milhão de barras pertencentes a bancos centrais e governos. O espaço abriga cerca de 6,3 mil toneladas do metal — avaliadas em mais de US$ 1 trilhão (R$ 5 trilhões), o equivalente a cerca de 4% do PIB dos Estados Unidos. Com informações da BBC.

Protegido por um cilindro de aço de 90 toneladas, o cofre só pode ser reaberto no dia seguinte após ser fechado. O local é considerado peça-chave para o sistema financeiro global, já que o ouro funciona como reserva estratégica, usado por países para garantir suas moedas e enfrentar crises econômicas e geopolíticas.

Grande parte dessas reservas foi acumulada por países europeus a partir da década de 1950, em meio ao temor da União Soviética. Além da segurança, o armazenamento nos Estados Unidos era mais barato e prático do que transportar o ouro. O modelo se consolidou no sistema de Bretton Woods, que atrelava o dólar ao metal e transformava ambos em ativos centrais da economia global.

Nos últimos anos, porém, a confiança nesse arranjo começou a ser questionada. O retorno de Donald Trump ao poder e suas tensões com aliados europeus levantaram dúvidas sobre a segurança dessas reservas. Na Alemanha, que mantém cerca de 1,2 mil toneladas em Nova York (avaliadas em cerca de US$ 200 bilhões), especialistas passaram a defender a repatriação como forma de garantir “maior independência estratégica”.

O presidente Donald Trump
O presidente Donald Trump. Foto: REUTERS/Kevin Mohatt

Apesar das pressões, autoridades como o presidente do Bundesbank afirmam não ver motivo para preocupação. Ainda assim, o debate cresce na Europa, impulsionado por incertezas geopolíticas e pelo silêncio do próprio Fed diante das críticas. Para analistas, o tema pode indicar uma mudança mais ampla na confiança internacional e nos pilares do sistema financeiro global.