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Trump ameaça “eliminar” navios iranianos enquanto EUA iniciam bloqueio marítimo

O presidente dos EUA, Donald Trump. Foto: Saul Loeb/AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou o tom contra o Irã ao ameaçar que embarcações iranianas serão “eliminadas” caso se aproximem do bloqueio naval imposto por Washington. A medida, que entrou em vigor no horário estipulado pelos EUA, determina a interdição de todo o tráfego marítimo de entrada e saída dos portos iranianos, marcando uma escalada significativa na tensão entre os dois países.

Em resposta, as Forças Armadas do Irã classificaram a ação como ilegal, afirmando que restringir a navegação em águas internacionais equivale a um ato de pirataria. O alerta foi reforçado pelo Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (IRGC), que advertiu que qualquer navio de guerra que se aproxime do Estreito de Ormuz poderá violar o atual cessar-fogo — justamente em uma das rotas mais estratégicas para o transporte global de petróleo.

O impasse diplomático também se agravou após o fracasso das negociações realizadas no Paquistão. O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, atribuiu o colapso das conversas ao que chamou de “maximalismo”, “mudanças constantes” e ao próprio bloqueio imposto pelos Estados Unidos.

Enquanto isso, o cenário regional se deteriora ainda mais. O Exército de Israel intensificou ataques no sul do Líbano, matando ao menos quatro pessoas na cidade de Maaroub. Tropas israelenses também assumiram o controle dos acessos à cidade de Bint Jbeil, em meio à continuidade dos confrontos com o Hezbollah.

Estreito de Ormuz visto por satélite. Foto: Reprodução

Nos bastidores, aliados ocidentais demonstram desconforto com a iniciativa americana. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou que o Reino Unido não apoia o bloqueio. Já a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, destacou que a restauração da liberdade de navegação é “fundamental”.

Segundo análise do jornalista James Bays, da Al Jazeera, a estratégia dos Estados Unidos pode ter como objetivo atingir diretamente a economia iraniana, fortemente dependente das exportações de petróleo — ainda que isso represente riscos relevantes para os mercados globais.

Paralelamente, o Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido (sigla em inglês para Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido) emitiu um alerta sobre as restrições em vigor. Segundo o órgão, as medidas afetam toda a costa iraniana e se aplicam a embarcações de qualquer bandeira que operem com portos, terminais petrolíferos ou instalações costeiras do país. A área impactada inclui o Golfo Pérsico, o Golfo de Omã e o Mar da Arábia, a leste do Estreito de Ormuz.

Embora o trânsito pelo estreito rumo a destinos fora do Irã não tenha sido formalmente interrompido, há relatos de presença militar intensificada, comunicações dirigidas e possíveis inspeções durante a passagem. Navios neutros que ainda estão em portos iranianos receberam um prazo limitado para deixar a região. Diante desse cenário, a recomendação é de máxima cautela, alto nível de vigilância e prontidão operacional por parte das embarcações que circulam na área.