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Capa de revista italiana com colono israelense humilhando jovem palestina provoca crise diplomática

Capa do L’Espresso. Foto: Reprodução

Uma única capa de revista foi suficiente para desencadear uma crise diplomática entre Itália e Israel, pondo uma das publicações mais tradicionais do país no centro de uma controvérsia internacional.

A mais recente edição da L’Espresso, uma das revistas semanais mais antigas e influentes da Itália, traz na capa uma imagem intitulada “L’abuso” (O Abuso).

A fotografia mostra um homem com quipá e peyot — os cachos laterais característicos de judeus ortodoxos — apontando o celular para uma mulher usando hijab estampado. Ele é um colono israelense armado. Ela, uma jovem palestina. O que mais chama atenção não é apenas o contraste religioso ou cultural, mas o sorriso desumanizante do colono enquanto filma a garota, cuja expressão transmite dor — retratando uma das vítimas das cada vez mais frequentes incursões na Cisjordânia.

A imagem faz parte de um projeto documental do fotógrafo italiano Pietro Masturzo. A reportagem principal, assinada por Daniele Mastrogiacomo, analisa o projeto do chamado “Grande Israel”, suas raízes bíblicas e o conflito com o direito internacional.

Um texto complementar, de Alae Al Said, acompanhado do material completo de Masturzo, descreve o que a revista classifica como uma campanha de limpeza étnica na Cisjordânia após o que define como genocídio em Gaza.

Reação de Israel

O embaixador de Israel na Itália, Jonathan Peled. Foto: Reprodução

A resposta israelense foi imediata. O embaixador de Israel na Itália, Jonathan Peled, escreveu na rede X: “Condenamos fortemente o uso manipulativo da recente capa da L’Espresso. A imagem distorce a complexa realidade que Israel enfrenta, promovendo estereótipos e ódio. O jornalismo responsável deve ser equilibrado e preciso.”

Revista mantém posição

A L’Espresso não recuou nem pediu desculpas. Segundo uma nota da publicação, a imagem documenta “os abusos diários sofridos por aqueles que tiveram a infelicidade de nascer em territórios que colonos reivindicam ocupar para realizar o sonho do Grande Israel”.

A revista afirma que crimes de colonos são contínuos, contam com respaldo do exército israelense e não recebem condenação significativa da comunidade internacional.

Nas redes sociais, a reação ao protesto do embaixador foi majoritariamente contrária a ele. Muitos usuários compartilharam a capa interpretando a crítica diplomática como uma tentativa de censurar o fotojornalismo.