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Primeira-ministra da Itália critica falas de Trump sobre o Papa

A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni. Foto: Divulgação

A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, manifestou sua indignação nesta segunda-feira (13) em relação às recentes declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o Papa Leão XIV. Em um comunicado oficial, ela classificou as palavras do republicano como “inaceitáveis” e afirmou que o Papa, líder da Igreja Católica, tem o direito e o dever de pedir pela paz e condenar todas as formas de guerra.

“Considero inaceitáveis as palavras do presidente Trump em relação ao Santo Padre. O papa é o líder da Igreja Católica, e é correto e natural que ele peça paz e condene todas as formas de guerra”, disse Meloni em um comunicado.

As críticas dele ao Papa ocorreram no domingo (12), quando ele se referiu a Leão XIV como “fraco” e afirmou que a postura do pontífice prejudica a Igreja Católica. O presidente dos EUA expressou preferir o irmão do Papa, Louis Leão XIV, por acreditar que ele compartilha mais dos valores defendidos por ele.

“O papa Leão XIV é FRACO no combate ao crime e péssimo em política externa (…) Eu não quero um papa que ache que tudo bem o Irã ter uma arma nuclear. Não quero um papa que ache terrível que os Estados Unidos tenham atacado a Venezuela. E não quero um papa que critique o presidente dos Estados Unidos”, declarou Trump em sua conta no Truth Social, onde também atacou o Papa por sua postura em relação aos Estados Unidos e seus aliados.

Além de suas críticas à política externa do Papa, Trump afirmou que Leão XIV ocupa o cargo de Papa devido à sua nacionalidade americana e sugeriu que ele foi escolhido para representar os interesses do Vaticano em relação ao seu governo. “Leão deveria ser grato porque, como todos sabem, ele foi uma surpresa chocante”, disse ele.

O presidente insistiu que o Papa só foi escolhido para liderar a Igreja Católica devido à sua conexão com os Estados Unidos e sua relação com o governo Trump. Em resposta, o Papa Leão XIV não se envolveu diretamente nas declarações de ele.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump e o papa Leão XIV. Foto: Divulgação

Durante uma entrevista a jornalistas enquanto viajava para a Argélia, o Papa afirmou que não tinha a intenção de entrar em um debate com o ex-presidente dos EUA e reafirmou que sua mensagem continua sendo a mesma: promover a paz e trabalhar em prol da convivência pacífica entre as nações.

Em sua fala, o Papa também se referiu aos conflitos em andamento no Oriente Médio, especialmente no Líbano, e reiterou seu apelo por um cessar-fogo imediato. “Uma obrigação moral de proteger a população civil dos efeitos atrozes da guerra”, disse o Papa, que também expressou preocupação com o impacto do conflito na Ucrânia.

Trump não apenas atacou a política externa do Papa, mas também criticou suas reuniões com figuras próximas ao ex-presidente Barack Obama, incluindo David Axelrod, que, segundo ele, representa o que há de pior na esquerda. O republicano sugeriu que o Papa deveria focar em ser um grande líder espiritual, em vez de se envolver com questões políticas.

“Leão deveria ser grato porque, como todos sabem, ele foi uma surpresa chocante. Ele não estava em nenhuma lista para ser papa e só foi colocado lá pela Igreja porque era americano — e acharam que essa seria a melhor forma de lidar com o presidente Donald J. Trump. Se eu não estivesse na Casa Branca, Leão não estaria no Vaticano”, afirmou.

Além disso, ele compartilhou uma imagem gerada por inteligência artificial em suas redes sociais, onde aparece usando uma túnica branca e abençoando um homem doente, com a bandeira dos EUA e símbolos de poder militar ao fundo, o que foi interpretado como uma forma de ridicularizar a figura do Papa.

O papa Leão XIV, por sua vez, se prepara para uma visita ao continente africano, onde buscará reforçar seu apelo pela paz e pela dignidade humana, enquanto continua sua missão de apoiar os mais necessitados ao redor do mundo. Sua viagem está marcada para começar nesta segunda-feira, 13 de abril, com o objetivo de sensibilizar os líderes mundiais para as necessidades do continente africano, onde se concentra uma grande parte da população católica global.