
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro postou uma foto em fevereiro ao lado de Alexandre Ramagem e Allan dos Santos, afirmando que estavam “livres” nos Estados Unidos. Os três numa lanchonete, com a arrogância dos mafiosos.
Como dizia a finada revista Playboy: “Risos”.
A postagem foi uma tentativa de minimizar as dificuldades que os três golpistas enfrentavam no Brasil, onde são alvos de investigações no Supremo Tribunal Federal.
“Não podemos retornar à nossa pátria, mas ao menos estamos livres! Em comum: seguir lutando por liberdade”, escreveu Eduardo. Ele se referiu aos anos de dificuldades enfrentadas por eles, como a dor de não poder ver suas famílias, o congelamento de contas bancárias, salários bloqueados, o impacto dessas medidas sobre a sustentação de suas famílias etc etc.
Deu ruim. O ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), Alexandre Ramagem, foi preso nesta segunda (13), pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos EUA, o tenebroso ICE.
As razões para a prisão ainda não foram esclarecidas pela Polícia Federal brasileira. Uma hipótese é vadiagem porque o sujeito não estava com os papéis em ordem. O visto de turista estava vencido.
Ramagem fugiu do Brasil no contexto do julgamento do golpe, atravessando a fronteira de Roraima e entrando na Guiana antes de embarcar para os Estados Unidos.

O ICE ainda não informou os detalhes da prisão, mas sua atuação segue o objetivo de “manter a segurança nacional dos Estados Unidos”.
Ramagem, que perdeu seu cargo como deputado federal e foi condenado a 16 anos de prisão pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado de Direito e golpe de Estado, está entre os aliados de Bolsonaro que resistiram à ordem de extradição.
Além de Ramagem, Allan dos Santos, um blogueiro aliado de Bolsonaro, também fugiu para os Estados Unidos e se encontra foragido desde 2021. Apesar de várias tentativas de extraditar os aliados do ex-presidente, o governo dos Estados Unidos resistiu ao cumprimento das ordens judiciais emitidas pelo STF.
Eduardo Bolsonaro tem um interrogatório marcado para terça-feira, 14, no qual é réu por coação do Judiciário durante o período que antecedeu o julgamento da trama golpista, pela qual seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, está em cana.