
É dureza quando um jornalista começa a comer pela mão do fascismo. A prisão de Alexandre Ramagem nos Estados Unidos acaba denunciando que as versões sobre os fatos foram construídas também a partir do que interessa ao bolsonarismo.
Ramagem foi preso e logo começou a circular a informação de que a Polícia Federal brasileira havia acionado a Interpol e que o delegado golpista fora alcançado pela polícia internacional.
Depois informaram que a prisão, pelo ICE, a milícia anti-imigração de Trump, era resultado da articulação da PF com a polícia internacional e com a polícia americana, dentro do ICE.
A operação teria resultado do rastreamento dos passos de Ramagem durante meses, com atuação do que chamam de um ‘agente de ligação’ da Polícia Federal em Miami com o ICE. Ramagem foi abordado no trânsito porque vinha sendo seguido.
Essa informação foi divulgada por vários jornais, logo depois da prisão em flagrante. O que a Folha informou, em desacordo com tudo que vinha sendo noticiado: que não era nada disso e que o delegado havia apenas sido abordado por uma infração no trânsito.
Monica Bergamo, que já foi uma das grandes jornalistas brasileiras, embarcou em informação furada do também golpista Paulo Figueiredo, que ela diz ser “apresentador”, não se sabe do quê.
Paulo Figueiredo é aquele neto de João Batista Figueiredo. O sujeito induziu Monica Bergamo, como sua fonte, a noticiar que Ramagem era apenas um motorista atrapalhado, que havia cometido uma infração e sido levado para uma delegacia do ICE.
Esse foi o título da sua coluna: “Ramagem foi detido por infração de trânsito, mas tem status legal nos EUA, diz apresentador”.
Uma jornalista com o histórico da colunista da Folha embarcou na informação, que só ela tinha, de que Ramagem seria tratado apenas como motorista infrator. E que por isso foi parar numa cela do ICE.

Ninguém assegura que Ramagem não venha a ser solto por ordem dos homens de Trump. É até o mais provável. Mas isso não desmonta o que de fato aconteceu: Ramagem foi preso porque vinha sendo monitorado como foragido que entrou com documentos falsos nos Estados Unidos e estava com o visto vencido.
Mas Monica Bergamo foi atrás de uma fonte ligada ao fascismo, mais uma vez, para pegar informações e versões que interessam ao fascismo. É ruim, porque a colunista deu a entender que só ela tinha a informação certa, que depois passou a ser mesma de Eduardo Bolsonaro: detenção por infração no trânsito.
Miriam Leitão foi a primeira a dar informação que parece correta, porque não foi atrás de fontes do bolsonarismo. Ramagem poderá ser deportado, e não extraditado. Assim, seria expulso dos Estados Unidos como ilegal, como acontece todos os dias.
Miriam informou que de fato um oficial de ligação do Brasil dentro dos Estados Unidos ajudou na localização de Ramagem, como já informou o delegado diretor da PF, Andrei Rodrigues.
O ICE também busca imigrantes foragidos, e não quem passa na esquina com o sinal fechado, como deu a entender Monica Bergamo. “No governo brasileiro se derruba a tese de que foi uma prisão ocasional por uma infração de trânsito”, escreve Miriam.
“A informação prestada por este delegado (de ligação da PF com os EUA) era de que Ramagem era um brasileiro foragido e que por decisão judicial tinha tido o passaporte cancelado”.
Ramagem acabou preso pela polícia que o fascismo brasileiro mais aplaude, o ICE que prende imigrantes com crueldade. Monica Bergamo acreditou que ele pegou cadeia por não saber dirigir em Orlando.