
O governo Lula e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) formaram uma articulação estratégica para derrubar o relatório da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Crime Organizado, que sugere o indiciamento dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. A articulação envolveu também o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
Segundo a Folha de S.Paulo, a troca dos parlamentares foi decisiva na véspera da votação do relatório, previsto para ser votado nesta terça (14). A troca foi realizada nos membros da oposição à CPI, substituindo Sergio Moro (PL-PR) e Marcos do Val (Avante-ES) por Teresa Leitão (PT-PE) e Beto Faro (PT-PA), ambos alinhados com o governo.
A mudança visou garantir que os novos senadores apoiassem o bloqueio ao relatório que havia sido elaborado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE). O governo Lula calculava que o relatório poderia ser aprovado por 6 votos a 5, o que levou à intervenção de Alcolumbre.
A mudança de senadores na CPI se deu devido à estrutura dos blocos parlamentares, que determinam a distribuição das vagas na comissão. A troca foi conduzida pelo MDB, partido que, após a saída do União Brasil do bloco, passou a exercer maior influência, liderado por Eduardo Braga (AM), aliado próximo de Alcolumbre.

Apesar de o PT não integrar o bloco que formou a CPI, a mudança foi possível por meio da deliberação do líder do bloco, permitindo que senadores do PT substituíssem membros da oposição.
Para o governo Lula, o relatório de Vieira teve motivação eleitoral, uma vez que o senador planeja disputar a reeleição em outubro de 2026. Além disso, integrantes do governo criticaram Vieira por não ter incluído em seu relatório o banqueiro Daniel Vorcaro, políticos envolvidos com ele e outros crimes comuns, como facções e criminosos.
Vieira alegou que a exclusão desses alvos foi uma escolha técnica, e que não havia espaço para incluir todos os envolvidos. Enquanto a CPI foi originalmente criada para investigar o crime organizado, os senadores passaram a utilizá-la também para investigar o Banco Master e suas relações com autoridades, principalmente ministros do STF.