
O Rich Starry, navio chinês sob sanções dos Estados Unidos por ter transportado petróleo iraniano, deu meia-volta e retornou ao Irã nesta terça (14). A embarcação havia deixado o Golfo Pérsico no dia 13, logo após o início do bloqueio imposto pelos americanos aos portos da região e estava em direção ao estreito de Ormuz, seguindo sua rota habitual.
Em um movimento inesperado, a embarcação alterou seu curso e voltou para o Irã. O Rich Starry estava transportando 250 mil barris de metanol, um produto que não se enquadra nas restrições impostas pelo bloqueio.
A situação gerou acusações de que o Rich Starry teria feito o pagamento do “pedágio” estabelecido pelo Irã, que introduziu uma nova rota passando por suas águas em Ormuz após as mudanças no corredor tradicional. Teerã havia declarado anteriormente que “minou” a rota convencional, forçando os navios a seguir por uma via mais controlada pelo governo iraniano.
A China, por sua vez, reagiu às sanções dos EUA, classificando as restrições como “irresponsáveis e perigosas”. Em 2025, o Irã foi o terceiro maior fornecedor de petróleo para o país asiático, o que agrava os impactos comerciais.

O Irã emitiu uma ameaça nesta quarta (15), declarando que tomará medidas no Mar Vermelho caso o bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos aos seus portos não seja suspenso. O objetivo da medida é pressionar o país, mas tem afetado o comércio na região, especialmente a exportação de petróleo da Arábia Saudita e as vendas de agronegócio brasileiro para o Oriente Médio.
Teerã ameaçou usar seus aliados houthis, que controlam grande parte do Iémen, para atacar as rotas marítimas, como já fizeram durante o conflito com Israel e o Hamas entre 2023 e 2025.
O bloqueio entrou em seu terceiro dia e o fluxo de navios na área foi reduzido, com apenas 10% do movimento normal.
Enquanto isso, o governo dos EUA afirmou que 10 mil soldados estão envolvidos no monitoramento das rotas, com intervenções em alguns navios iranianos que tentaram escapar do bloqueio. O caso mais recente envolveu dois petroleiros que, após deixarem o Irã, foram interceptados e obrigados a dar meia-volta.