
A capacidade de síntese de Lula avisa o que vem aí. “Esse vai ser o ano da verdade contra a mentira”, disse Lula na entrevista dessa semana a Leonardo Attuch, Renato Rovai e Kiko Nogueira, editores do Brasil 247, da Fórum e do DCM.
Essa não é uma eleição em que o que se torna mais visível é a defesa dos interesses da maioria versus o herdeiro do pai que negou vacina na pandemia e levou os pobres às filas do osso.
Não é possível confrontar, pela precariedade do adversário, programas de governo, ideias e valores quase sempre presentes numa eleição. Mas é possível dizer que um candidato diz a verdade e o outro, pela índole da família e da facção política a que pertence, dissemina fake news.
Foi o que Flávio Bolsonaro fez com a imagem de gente saqueando um caminhão de lixo, quando tentava atacar Lula com um flagrante de miséria do governo do pai. O próprio Lula se referiu à farsa na entrevista.

Lula vai enfrentar mentirosos profissionais e amadores – inclusive os da grande imprensa – como não aconteceu em nenhuma outra eleição, nem na de 2022. Sabendo que o retorno da extrema direita ao poder seria um desastre, não para ele, que já cumpriu três governos, mas para o país.
“É um compromisso moral, ético e até cristão não permitir que os fascistas voltem a governar”, disse Lula, que afastou qualquer possibilidade de não concorrer.
Confiante, disposto, com memória para citar dados do déficit público e até da produção de cana de açúcar de Cuba, desafiou os que o ameaçam com a intromissão de Trump na eleição brasileira.
“Acho que ele me ajudaria muito se fizesse isso”, disse, rindo, para se referir ao fato de que o vice do americano foi à Hungria, para apoiar Viktor Orbán, e o fascistão amigo de Bolsonaro acabou derrotado nas eleições de domingo.
Lula falou de quase tudo, mas ficou faltando uma abordagem, mesmo que ligeira, dos humores e das composições para a eleição, principalmente as regionais, e de como vê o vai e vem da velha direita e do centrão em direção ao extremismo.
Como surpresa, a conversa teve momentos que parecem irrelevantes mas não são. Lula elogiou, em duas falas, em menos de 20 minutos da entrevista, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. FH, com quem Lula conviveu, se desentendeu e também respeitou muito, sobre de Alzheimer.
Nessa quarta-feira, a Genial/Quaest se dedica a mais um esforço para que Flávio continue sendo reconstruído como uma farsa. Deve sair a pesquisa que perguntou aos eleitores se o filho ungido é menos radical do que o pai e os irmãos.
Imaginem a resposta. Está valendo tudo. Lula sabe que a verdade é o bem mais precioso dessa eleição. Mas há uma dificuldade imensa.
Como levá-la com convencimento a quem não entende ou finge não entender a guerra contra a mentira e a ameaça de volta do ódio, da violência, das ameaças e de tudo e todos que se expressam pelo fascismo declarado ou dissimulado?