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O otimismo do Paquistão sobre as negociações pelo fim da guerra entre EUA e Irã

Outdoor em Islamabad anunciando as negociações. Foto: reprodução

Autoridades do Paquistão esperam um “grande avanço” nas negociações entre Irã e Estados Unidos sobre o programa nuclear iraniano, segundo fontes ouvidas pela Al Jazeera. O sinal de otimismo surgiu na última quarta-feira (15) em meio ao aumento dos esforços diplomáticos de Islamabad para tentar encerrar a guerra que já matou milhares de pessoas e aprofundou a crise no Oriente Médio.

A movimentação ganhou força com a chegada a Teerã de uma delegação paquistanesa de alto nível liderada pelo chefe do Exército, Asim Munir. De acordo com a Press TV, emissora estatal iraniana, ele foi ao país para entregar uma mensagem do governo estadunidense à liderança iraniana e também preparar o terreno para uma segunda rodada de conversas entre Washington e Teerã. Munir foi recebido pelo chanceler Abbas Araghchi, que agradeceu ao Paquistão pela “gentil acolhida ao diálogo”.

Segundo o correspondente Osama Bin Javaid, da Al Jazeera, autoridades paquistanesas acreditam que pode haver “um grande avanço na frente nuclear” e seguem atuando como ponte entre os dois lados. O principal impasse continua sendo o tempo de congelamento do enriquecimento de urânio pelo Irã e o destino do estoque de 440 quilos de urânio altamente enriquecido mantido pelo país.

“Sabemos que os dois lados estão basicamente travados entre cinco anos sem enriquecimento e 20 anos sem enriquecimento. E há uma solução no meio”, disse Bin Javaid. Sobre o material nuclear iraniano, ele acrescentou: “Também se discute o que o Irã fará com os 440 quilos de material nuclear enriquecido que possui no país. Há várias opções — enviá-lo ao exterior para um terceiro país ou reduzi-lo a urânio em sua forma natural ou a até 3%”.

Navio de carga ancorado no golfo Pérsico, perto do estreito de Ormuz junto à costa de Omã. Foto: Reuters

As conversas mais recentes entre Estados Unidos e Irã, realizadas em Islamabad no fim de semana, terminaram sem acordo para encerrar a guerra. Os mediadores tentam destravar três pontos centrais: o programa nuclear iraniano, o controle do estreito de Ormuz, fechado de forma efetiva por Teerã e responsável por pressionar os preços globais do petróleo, e a compensação por danos causados durante o conflito.

Enquanto o chefe militar paquistanês fala com os iranianos, o primeiro-ministro Shehbaz Sharif faz uma ofensiva paralela por Arábia Saudita, Qatar e Turquia. Para Bin Javaid, trata-se de uma “estratégia em duas frentes” para neutralizar forças contrárias a um acordo, inclusive em Teerã, em Washington e, sobretudo, em Israel.

O esforço diplomático ganhou novo impulso após declarações de Donald Trump, que disse na terça-feira que o mundo deveria se preparar para “dois dias incríveis” e que a guerra contra o Irã está “muito próxima do fim”. A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, reforçou o tom otimista e afirmou: “Estamos confiantes nas perspectivas de um acordo”.