
A Polícia Federal se reunirá nesta quinta (16) com representantes dos Estados Unidos para entender as circunstâncias que levaram à soltura do ex-deputado federal Alexandre Ramagem, libertado na quarta (15). O Brasil não foi informado previamente da decisão.
A reunião, agendada antes da soltura, buscava esclarecer o caso e evitar que a liberação acontecesse. Embora a intenção fosse discutir a situação e negociar a permanência de Ramagem detido, ele foi liberado antes do encontro.
Ramagem, preso na segunda (13) em Orlando, na Flórida, foi levado ao centro de detenção do Condado de Orange. Ele permaneceu em uma cela separada até sua libertação. A soltura ocorreu por volta das 14h52 (horário local), sem aviso prévio à PF.
O governo federal esperava que o ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) continuasse preso enquanto as negociações para sua deportação avançavam. Ramagem está foragido no Brasil e foi condenado a 16 anos de prisão por sua participação na tentativa de golpe de Estado que visava manter Jair Bolsonaro no poder em 2022.

O Supremo Tribunal Federal (STF) o condenou por usar a Abin para ajudar no golpe. O governo brasileiro, por sua vez, iniciou a preparação de um relatório com dados sobre o caso para agilizar o processo de deportação, que seria enviado à polícia americana.
Além de buscar a deportação, as autoridades também estão empenhadas em evitar que Ramagem obtenha asilo político nos Estados Unidos, onde ele já fez esse pedido. O ex-deputado perdeu seu mandato e é um dos alvos da investigação sobre o golpe.
Ramagem fugiu do Brasil em setembro do ano passado, atravessando a fronteira entre o Brasil e a Guiana de forma clandestina. De lá, seguiu até os Estados Unidos, com o auxílio de uma organização criminosa envolvida com atividades ilegais.