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“Sonho de direita”: o destino favorito dos brasileiros que se dizem “oprimidos”

Fila com brasileiros vira a madrugada em Ciudad del Este, no Paraguai. Foto: Fernando Otto/BBC

Nos últimos meses, uma crescente onda de brasileiros tem se deslocado para o Paraguai, atraídos por promessas de um estilo de vida com menos impostos e maior liberdade econômica, um “sonho de direita”. Em março, centenas acamparam por horas nas ruas de Ciudad del Este, aguardando a abertura de um mutirão para obtenção de residência no país.

Segundo a BBC Brasil, a maior parte dos imigrantes é composta por empresários, aposentados e pessoas de direita, em busca de estabilidade econômica e menor carga tributária. Os brasileiros que participaram do mutirão acreditam que o Paraguai oferece melhores oportunidades do que o país de origem, principalmente no que diz respeito a impostos e leis trabalhistas mais flexíveis.

O empresário Dilberto Wegrnen, de Cascavel (PR), por exemplo, diz que o Paraguai tem uma carga tributária mais baixa e leis trabalhistas mais acessíveis, e alega que isso atraiu muitos empresários em busca de um ambiente mais favorável aos negócios.

“Empresários estão saindo do Brasil para vir para o Paraguai. Aqui, a carga tributária é muito menor e as leis trabalhistas são muito mais acessíveis”, afirmou.

Os brasileiros que chegam ao Paraguai são atraídos principalmente pela fama do país como um destino com impostos reduzidos. O país é governado por Santiago Peña, nono chefe de Estado de direita entre os dez últimos desde a redemocratização, em 1989.

De acordo com autoridades locais, a maioria dos imigrantes vem após assistir a vídeos de influenciadores  que promovem a mudança como uma forma de escapar do que consideram uma “opressão política”.

O arquiteto Marcelo Mendes no Paraguai. Foto: Fernando Otto/BBC

Marcelo Mendes, um arquiteto aposentado de 70 anos de Recife (PE), explica que, após ver vídeos sobre a vida no Paraguai, abandonou a ideia de se mudar para Portugal e decidiu tentar a vida no país vizinho. Seu plano é vender a casa no Brasil e comprar outra na cidade de Encarnácion, cidade a quatro horas de carro da fronteira com a Argentina.

“A gente não está aguentando o Brasil, o salário da gente está perdendo valor. O que eu ganho em real também não dá para viver em Portugal. Aqui, consigo viver bem”, disse.

A carioca Zena Cheraze, que tem 68 anos, foi para Ciudad del Este sem saber se conseguiria os documentos e afirmou que foi influenciada por “muita propaganda no YouTube”. Ela é professora aposentada e viúva. “Nós, da direita, nos sentimos as pessoas mais oprimidas. A gente não tem liberdade”, disse.

Muitos imigrantes consideram as políticas fiscais mais favoráveis e as leis trabalhistas mais flexíveis como atrativos importantes. Miriam Costa e Guilherme Lopes, por exemplo, se mudaram para Ciudad del Este e vendem romances eróticos escritos em português para um “público conservador”.

Miriam Costa, Guilherme Lopes e o filho. Foto: Fernando Otto/BBC

Os conteúdos, escritos por Miram, são vendidos pela internet por Guilherme. O país tem uma regra que aplica tributação mínima a quem recebe renda do exterior. O casal se considera libertário e anarcocapitalista.

“A gente prefere um Estado menor, com menos intervenção na economia, menos intervenção na nossa vida pessoal. Isso significa que o Paraguai não tem uma saúde planificada como no Brasil, mas, ao mesmo tempo, você tem um plano de saúde top de linha com um preço muito mais acessível”, disse Miriam.

O sistema público de saúde e educação no Paraguai, no entanto, é mais limitado em comparação com o Brasil e um ponto de preocupação para muitos. O país, apesar de oferecer uma baixa carga tributária, não tem a mesma capacidade de investimento em infraestrutura.