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Flávio Bolsonaro ganha apoio de evangélicos, mas pastores ainda hesitam

O pastor Silas Malafaia e o senador Flávio Bolsonaro. Foto: Divulgação

A pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro à presidência ainda gera incertezas entre líderes evangélicos, que anteriormente demonstraram apoio entusiasmado ao pai dele, Jair Bolsonaro. A preocupação reside no fato de que, apesar de um desempenho inicial promissor nas pesquisas, ele pode não conseguir sustentar esse desempenho ao longo da campanha, especialmente diante de escândalos potenciais que podem afetar sua imagem.

A falta de carisma de Flávio, comparado ao de seu pai, também dificulta a transferência automática de apoio. Ele se destaca no eleitorado evangélico, em que lidera com uma margem considerável. Uma pesquisa recente do Datafolha revelou que, enquanto o filho de Bolsonaro tem o apoio de 49% dos evangélicos, Lula possui apenas 25%.

O fato de Tarcísio, governador de São Paulo, ser o nome favorito entre muitos líderes evangélicos não impede que ele seja descartado como opção para a presidência. Isso ocorre porque, para concorrer a outro cargo, é necessário que o governante renuncie seis meses antes da eleição, prazo que ele não cumpriu. Assim, sua opção é buscar a reeleição como governador.

Entre os líderes evangélicos, Silas Malafaia se destacou como um crítico inicial da candidatura de Flávio, apontando a falta de “musculatura” política do senador. No entanto, ele e outros pastores parecem estar se adaptando à realidade da campanha e devem formalizar seu apoio a ele.

Além disso, há a influência de figuras políticas como Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara, que tem trabalhado na aproximação com as igrejas evangélicas, e do bispo Robson Rodovalho, da igreja Sara Nossa Terra, que aposta na união dos pastores em torno dele.

O ex-presidente Jair Bolsonaro ao lado do bispo Robson Rodovalho. Foto: Divulgação

O apoio evangélico a Flávio, no entanto, não é unânime. Há divisões dentro da Assembleia de Deus, com alguns pastores como o bispo Samuel Ferreira, da Assembleia de Deus Madureira, apoiando outros nomes. Cezinha de Madureira, ex-líder da bancada evangélica, também tem se aproximado dele, apesar das divergências internas.

A candidatura do senador enfrenta o desafio de garantir apoio consistente, já que a base evangélica, embora expressiva, pode não ser tão fervorosa quanto a que o pai recebeu nas últimas eleições. Esse fator pode afetar o desempenho do senador nas urnas, especialmente se sua imagem for prejudicada por eventuais escândalos.

Isso coloca Flávio em uma posição delicada, já que muitos líderes evangélicos ainda o veem mais como um representante de seu pai do que como um líder independente, o que pode limitar seu alcance político.

Com o apoio de figuras como o deputado Sóstenes Cavalcante e o pastor Robson Rodovalho, Flávio tem tentado unir os diferentes segmentos evangélicos em sua campanha. No entanto, ele precisa superar a resistência de setores conservadores que ainda têm reservas quanto à sua candidatura.