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O que fez Vorcaro parar de pagar propinas ao presidente do BRB, de acordo com a PF

Daniel Vorcaro Foto: Victor Moriyama/Bloomberg

A decisão do ministro André Mendonça que autorizou nova fase da Operação Compliance Zero afirma que a Polícia Federal atribui a Daniel Vorcaro a interrupção do pagamento de propinas ao ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. Segundo o documento, a medida ocorreu após ele tomar conhecimento de um procedimento sigiloso que investigava o repasse por meio de imóveis de alto padrão.

Segundo a decisão, o procedimento investigativo foi autuado pelo Ministério Público Federal em 30 de abril de 2025. Poucos dias depois, em 10 de maio de 2025, Vorcaro teria determinado ao operador jurídico Daniel Monteiro que “travasse tudo” e que não realizasse mais nenhum pagamento nem prosseguisse com a formalização registral das transações então acordadas com Paulo Henrique Costa.

O texto também afirma que a hipótese policial foi reforçada pelo envio, em 24 de junho de 2025, de cópias de peças do procedimento sigiloso a Vorcaro por WhatsApp. Mesmo assim, a PF sustenta que a mudança de comportamento ocorreu antes desse envio formal e aponta “alta probabilidade” de que ele já tivesse conhecimento da investigação antes de receber os documentos.

Daniel Vorcaro enviava propina para BRB
Reprodução da decisão do ministro André Mendonça

A apuração trata de um suposto acerto de vantagem indevida de R$ 146,5 milhões em imóveis de alto padrão em São Paulo e no Distrito Federal. A decisão menciona seis imóveis vinculados ao chamado “cronograma pessoal” de Paulo Henrique Costa e diz que os pagamentos já rastreados superam R$ 74 milhões.

No mesmo documento, a Procuradoria-Geral da República sustenta que Paulo Henrique Costa, então presidente do BRB, foi peça essencial para viabilizar a compra de carteiras consideradas fraudulentas do Banco Master e, em contrapartida, teria recebido os imóveis apontados na investigação. A defesa de Costa afirmou que a prisão foi “absolutamente desnecessária” e disse que iria examinar o material para recorrer da decisão.

A defesa de Daniel Monteiro declarou que ele foi surpreendido com a ordem de prisão e afirmou que sua atuação sempre se deu de forma estritamente técnica, na condição de advogado do Banco Master e de outros clientes. O caso integra a quarta fase da Operação Compliance Zero, que teve como um dos alvos centrais o ex-presidente do BRB nesta quinta-feira (16).