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EUA preparam nova ofensiva contra PCC e CV e avisam Banco Central

Donald Trump, presidente dos EUA. Foto: reprodução

O governo dos Estados Unidos avisou previamente o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, sobre a ofensiva que prepara contra as facções Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital. Segundo a informação publicada nesta sexta-feira (17), Washington caminha para classificar CV e PCC como organizações terroristas estrangeiras, mesmo diante da resistência do governo Lula à medida.

De acordo com informações do Metrópoles, a sinalização foi tratada por fontes diplomáticas como uma deferência ao Brasil, já que outros países da região não foram informados com antecedência sobre decisões semelhantes.

A possível mudança representa um salto na forma como os Estados Unidos pretendem enfrentar essas organizações. Hoje, PCC e CV já são tratados por autoridades estadunidenses como grupos ligados ao crime transnacional e à lavagem de dinheiro, mas a classificação formal como organizações terroristas estrangeiras ampliaria o poder de ação do Departamento do Tesouro e de outras agências federais.

Na prática, isso permitiria congelamento imediato de ativos em território estadunidense e proibiria qualquer pessoa ou entidade sob jurisdição dos EUA de fornecer suporte material a essas facções, dificultando ainda mais o uso do sistema bancário internacional.

O Departamento de Estado sustenta que CV e PCC movimentam grandes volumes de recursos por meio de lavagem de dinheiro e que o novo enquadramento ajudaria a asfixiar financeiramente esses grupos.

Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central. Foto: Alexandre Boiczar/Banco Central

A discussão não é nova. Em maio de 2025, Reuters revelou que o governo brasileiro já havia rejeitado um pedido dos Estados Unidos para classificar as duas facções como terroristas, sob o argumento de que a legislação brasileira reserva essa definição para crimes com motivação ideológica, religiosa ou racial, e não para organizações voltadas ao lucro criminoso.

É justamente aí que está o impasse político e diplomático. O Palácio do Planalto e o Ministério da Justiça mantêm a linha de que o enfrentamento ao crime organizado deve ser feito com cooperação policial, inteligência financeira e ação judicial, sem elevar o tema ao patamar de ameaça terrorista.

Dentro do governo, a preocupação é que esse enquadramento abra precedentes para sanções indiretas, aumente a pressão sobre setores da economia brasileira e produza efeitos sobre a soberania nacional. Analistas também apontam que a decisão pode ter consequências para bancos, empresas e atores políticos brasileiros que, mesmo sem ligação direta com as facções, passem a operar sob regras mais duras de compliance internacional.