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Fintech envolvida com esquema de MC Ryan tem ligação com caso do Banco Master

Sede da Cartos Sociedade de Crédito Direto, em São Paulo
Sede da Cartos Sociedade de Crédito Direto, em São Paulo – Reprodução/Tellus Investimentos no Instagram

A Cartos Sociedade de Crédito Direto S.A., investigada no caso Banco Master, foi citada no inquérito da Operação Narco Fluxo, que apura indícios de lavagem de dinheiro por empresas ligadas a Ryan Santana dos Santos, o MC Ryan. As informações são da Folha de S.Paulo.

A operação foi deflagrada pela Polícia Federal nesta quarta-feira (15) e mira um grupo suspeito de movimentar mais de R$ 1,6 bilhão com uso de criptoativos, numerário em espécie e transações financeiras de alto valor.

Segundo documento da PF apresentado à Justiça Federal, a Cartos forneceu infraestrutura tecnológica bancária à Broker Platinum, apontada pelos investigadores como empresa de fachada ligada à circulação de dinheiro de apostas ilegais. A apuração afirma que a fintech falhou em procedimentos obrigatórios de checagem de clientes e registra a hipótese de “cegueira deliberada” na assinatura do contrato.

O inquérito diz que a Broker Platinum se apresentava como corretora de títulos e valores mobiliários, com capital social de R$ 10 mil, embora não tivesse autorização do Banco Central nem da CVM para atuar no setor.

MC Ryan dançando, de óculos escuros e coroa, de camisa estampada
O funkeiro MC Ryan SP – Reprodução

No material enviado ao Coaf, a PF afirma que a Cartos apresentou informações de “caráter notoriamente raso e contraditório” e escreveu que “A Cartos aparenta ter falhado gravemente nos procedimentos obrigatórios de Conhecimento do Cliente (KYC), acatando dados cadastrais manifestamente viciados e incompatíveis.”

Na Operação Narco Fluxo, a Broker Platinum aparece como integrante do “núcleo de processadoras de pagamento de alto risco” e, segundo a PF, teria servido como conta intermediária para pulverizar valores e dificultar a fiscalização.

A apuração também indica que a empresa, aberta em novembro de 2023, recebeu depósitos pulverizados de vítimas de estelionato digital e repassou parte dos recursos a empresas ligadas ao artista. A defesa de MC Ryan afirma que os pagamentos são lícitos e que as transações podem ser comprovadas.

Além disso, a Cartos também aparece nas operações Compliance Zero e Sem Desconto. No caso Master, a empresa é citada em documentos sobre a venda de carteiras de crédito ao banco de Daniel Vorcaro por meio de acordo com a consultoria Tirreno.

A investigação registra suspeita de que a operação tenha sido baseada em créditos falsos, após versões divergentes sobre a cessão dessas carteiras. A Reuters informou que investigadores descreveram a Tirreno como empresa de fachada para carteiras de consignado inexistentes, supostamente originadas pela própria Cartos.

Em nota, a Cartos afirmou que “não tem conhecimento sobre a existência de qualquer processo, investigação ou medida de busca e apreensão relacionada aos fatos recentemente mencionados, tampouco foi formalmente procurada por autoridades”. A empresa também declarou que sua atuação é sustentada por “controles robustos de compliance” e disse não ter “qualquer vínculo, direto ou indireto, com atividades ilícitas”, acrescentando que se considera possível vítima no contrato com a Broker Platinum.