
O IBGE divulgou nesta sexta-feira (17) novos dados sobre os domicílios brasileiros e apontou aumento do número de pessoas morando sozinhas, além da permanência de desigualdades em áreas como moradia e saneamento básico. Segundo a pesquisa, um em cada cinco domicílios do país tem apenas um morador. Com informações da TV Globo.
Entre os homens que vivem sozinhos, a maior concentração está na faixa de 30 a 59 anos. Já entre as mulheres, o maior grupo está entre aquelas com 60 anos ou mais. A auxiliar de serviços gerais Wilmar Gomes de Sousa, de 68 anos, afirmou que prefere morar sozinha depois de ter sido casada duas vezes e formar uma família grande, com cinco filhos e 22 netos.
“Tenho a minha liberdade, que eu gosto de beber minha cervejinha, gosto de sair, entendeu? Gosto de passear. Então, me dedico muito assim ao trabalho, gosto de trabalhar, adoro trabalhar”, conta. Sobre o perfil feminino nessa condição, William Kratochwill, analista da PNAD/IBGE, disse: “Aos 60 anos ou mais são as mulheres que ficaram viúvas, que se separaram e estavam com os filhos, mas os filhos já passaram a ter sua vida, pois têm a sua independência financeira, casaram e foram em busca do seu lar”.

Os dados também mostram mudança na autodeclaração racial da população. Mais uma vez, caiu o percentual de pessoas que se declaram brancas, enquanto aumentou o de brasileiros que se autodeclaram pretos. A população parda permaneceu estável.
Sobre esse movimento, o demógrafo José Eustáquio Alves afirmou: “Não é uma coisa demográfica, de taxas de fecundidade diferentes. Ela é muito mais pela autodeclaração. As pessoas estão se autodeclarando pretas, pardas e indígenas em uma proporção muito maior do que no século 20”. No campo da moradia, a pesquisa também indica que, desde 2016, vem caindo o percentual de domicílios próprios e crescendo o de imóveis alugados.
Em relação ao saneamento básico, o levantamento mostra melhora nos últimos anos, mas cerca de 28% das moradias brasileiras ainda não estão ligadas à rede de esgoto. O quadro é mais grave nas regiões Norte e Nordeste. José Eustáquio Alves afirmou: “Eu acho que é uma das principais falhas do Brasil o saneamento básico. E ele é fundamental para reduzir as taxas de mortalidade. Principalmente mortalidade infantil”.