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Oscar: um gênio acima de todas as outras coisas. Por Moisés Mendes

Oscar Schmidt em quadra pelo Brasil. Foto: Otavio Dias de Oliveira/Folhapress

Reaparece, como informação inevitável numa hora dessas, que Oscar Schmidt foi malufista. E que até enfrentou Eduardo Suplicy na briga por uma vaga ao Senado, em 1998. Concorreu pelo PPB, que vinha a ser a antiga Arena e é hoje o PP.

Fez 5.752.202 votos (36,9%), contra 6.718.463 de Suplicy (43,1%). Nunca mais concorreu a nada, mas foi secretário municipal de Esportes de São Paulo (1997-1998) no governo de Celso Pitta.

Depois, em 2018, votou em Bolsonaro e disse mais tarde que estava arrependido. O que isso significa? Que Oscar tinha posições conservadoras, identificadas com o pensamento de direita.

E o que isso significa agora, quando ele nos deixa? Quase nada diante da sua grandeza no basquete e do reconhecimento mundial como um dos gênios do esporte.

Oscar foi um cara de direita quando parou de jogar, assim como há gente de direita por toda parte e em todas as atividaddes. Não foi um ativista do bolsonarismo, não defendeu posições extremistas, não sabotou as vacinas e nunca fez discursos de exaltação a Brilhante Ustra.

Foi um sujeito de direita, cujas posições conservadoras quase nada representam diante do seu tamanho como figura de exceção. É assim que deveria ser com todos os que são maiores do que as ideias que expressam como ‘políticos’ ocasionais.

Oscar Schmidt. Foto: Reprodução

Oscar deve ter dito muita coisa contra o PT na campanha ao Senado. E daí? É para isso que existe a direita. Alckmin também disse barbaridades.

Vale para outras figuras, como Renato Portaluppi, que fez a campanha aberta para Bolsonaro enquanto dirigia o Grêmio? Não vale. Não vale para os que, como disse Renato, acham que os brasileiros deveriam apoiar o sujeito incondicionalmente.

Em 2019, Renato disse: “O Bolsonaro e o Sergio Moro são pessoas do bem que querem o bem do Brasil. Na minha opinião, quem é contra esses caras é contra o crescimento do Brasil”.

Qualquer um pode dizer o que bem entende, mas não pode, enquanto ocupa posição de comando num clube, dizer que as pessoas devem pensar como ele. Os torcedores? Não deveria. Não é razoável que classifique os discordantes como inimigos do Brasil.

Eu sou gremista e respeito posições alheias, desde que ninguém, em cargo de direção de uma entidade do povo (ou o Grêmio agora é dos empresários?) diga que sua opinião está acima da opinião de todos os outros. E que os que com ele não concordarem são contra o ‘crescimento’ do país.

Assim como estaria errado qualquer treinador ou atleta, em atividade em qualquer clube, que dissesse, tentando constranger a torcida, que não votar em Lula significaria ser contra os interesses do país.

Atletas devem se dedicar às grandes questões da humanidade, contra o racismo, a homofobia, o feminicídio e toda forma de discriminação. E expressar preferências políticas sem se acharem os donos da verdade por apoiarem a extrema direita.

Ah, mas atacar o racismo é o mesmo que adotar posições extremistas de direita? Vale o direito de expressão para ambos os lados? Por favor.

Peço desculpas, ao fazer comparações, por usar o nome de Oscar para compará-lo a Renato e vice-versa. Viva Oscar Schmidt.