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Reaproximação? As mudanças na relação entre Lula e Alcolumbre

Lula e Davi Alcolumbre, presidente do Senado. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), passaram a dar sinais de uma possível reaproximação política após meses de atrito entre o Palácio do Planalto e a cúpula da Casa. Com informações do Globo.

Ainda que o senador já tenha agendado uma data para derrubar o veto de Lula contra o PL da Dosimetria, a distensão começou a aparecer não só na retomada das conversas e na presença conjunta em agendas públicas, mas também no avanço de pautas consideradas prioritárias pelo governo no Senado, em um movimento que redesenha a relação entre Executivo e Legislativo em meio às disputas de 2026.

Um dos principais focos da crise era a indicação do ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF). A sabatina, que se transformou em símbolo da queda de braço entre governo e Senado, agora deverá ocorrer no próximo dia 28.

Com o ambiente mais desanuviado, articuladores de Lula passaram a trabalhar para organizar um jantar entre o presidente, Alcolumbre e senadores antes da votação, numa tentativa de consolidar politicamente essa nova fase.

Outro gesto visto como decisivo para a pacificação foi a aprovação rápida, pelo Senado, do nome do deputado Odair Cunha (PT-DF) para o Tribunal de Contas da União. A votação aconteceu apenas um dia após a indicação ter sido chancelada pela Câmara, e foi lida por aliados do Planalto como um sinal de boa vontade da Casa com o governo.

Jorge Messias, advogado-Geral da União. Foto: reprodução

A retomada do diálogo também envolve cálculo eleitoral. Embora ainda esteja no meio de seu mandato de oito anos, Alcolumbre já atua para tentar reeleger o aliado Clécio Luís (União Brasil) ao governo do Amapá. Para isso, conta com o apoio do governo federal. O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), também deve integrar a chapa do grupo político ligado ao presidente do Senado, reforçando o elo entre os interesses de Brasília e do Amapá.

Um dos marcos públicos desse realinhamento ocorreu no último dia 23 de março, quando Alcolumbre participou ao lado do ministro da Educação, Camilo Santana, de uma inauguração da Universidade Federal do Amapá. Mas o gesto político mais forte veio na posse do ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, na terça-feira, quando o presidente do Senado fez um discurso em defesa da concertação com o governo.

“E isso, meu querido presidente Lula, reforça a possibilidade de termos a consciência de que só através do diálogo, da boa política e da construção, nós podemos mudar a vida das pessoas. Não precisamos concordar com todas as opiniões, sejam partidariamente ou ideologicamente, mas o Parlamento fez a construção do que era possível e do que é prioridade para o Brasil”, disse.

O cenário contrasta com os meses anteriores, quando Alcolumbre se ausentou de cerimônias importantes do governo, como a sanção da ampliação da isenção do Imposto de Renda e o evento do novo ECA Digital.