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Lula diz que desigualdade é “escolha política” e critica “meritocracia” em Barcelona

Lula durante pronunciamento da Mobilização Progressiva Global
O presidente Lula, em discurso para a Mobilização Progressiva Global. Foto: Reprodução/Redes Sociais

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou neste sábado (18), durante a conferência Global Progressive Mobilization, em Barcelona, que é urgente articular um movimento global para restaurar a democracia e fortalecer o multilateralismo. Em um discurso enfático, Lula destacou que a desigualdade social “não é um fato inevitável, mas uma escolha política”.

Ao relembrar sua origem humilde, o presidente defendeu a reforma do Conselho de Segurança da ONU e fez um apelo direto às potências globais — Estados Unidos, Rússia, Reino Unido, França e China — para que interrompam conflitos armados. “O mundo não aguenta mais essa loucura de guerras”, declarou.

Lula também fez autocrítica ao campo progressista, afirmando que a esquerda não conseguiu superar o modelo econômico dominante. Segundo ele, o consenso liberal prometeu prosperidade, mas entregou “fome, desigualdade, insegurança e crises sucessivas”.

O presidente apontou ainda a concentração extrema de renda como uma das raízes do problema. “É preciso apontar os verdadeiros responsáveis: um punhado de bilionários que concentra a riqueza mundial”, disse, criticando o que chamou de “falácia da meritocracia”.

Em outro momento, Lula reconheceu erros de governos progressistas nas últimas décadas. “Fomos vítimas da nossa própria inocência política. Tentando agradar o empresariado, acabamos desmoralizados”, afirmou. Ele também alertou que a ascensão da ultradireita é alimentada quando governos deixam de implementar programas ambiciosos de transformação social após chegarem ao poder.

Encerrando o discurso em tom otimista, Lula fez um apelo por valores universais: “Quero paz, amor e fraternidade. Minha arma é o argumento, a razão. Precisamos ter caráter, honestidade e decência para respeitar os direitos de todos”.