
O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, não deve atuar de forma direta na campanha à reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) em São Paulo, segundo aliados. A definição ocorre após o ex-prefeito perder espaço na chapa, depois da saída do vice-governador Felício Ramuth do partido e de sua ida para o MDB. Kassab também deixou a Secretaria Estadual de Governo, posição que ocupava desde o início da gestão. Com informações do Globo.
A divergência entre Kassab e Ramuth começou no fim de 2025, quando o então vice afirmou que não abriria mão do posto. Kassab buscava ocupar a vaga com o objetivo de se tornar candidato ao governo em 2030, em caso de nova vitória de Tarcísio. Após o impasse, o presidente do PSD solicitou a desfiliação de Ramuth.
“O PSD quer ter uma posição muito clara e independente em relação à composição da chapa. A gente delegou ao Tarcísio (a escolha do vice)”, disse Kassab. “Como o Felício tinha uma posição muito pessoal, a gente achou melhor liberá-lo: ‘Se você quer seguir de qualquer jeito, saia do partido, né’. No fundo, o convidamos a sair. Mas jamais deixaremos de apoiar o Tarcísio, a gente está junto”.
Sem participação no núcleo da campanha, Kassab não deve “entrar de cabeça” na disputa, de acordo com aliados. A ausência do dirigente pode afetar a articulação com prefeitos do PSD no estado, já que mais de 200 gestores municipais costumavam ter o presidente da legenda como principal interlocutor junto ao governo estadual.
Um aliado de Tarcísio afirmou que a ausência de Kassab não deve impactar a campanha, destacando que a base do governador conta com deputados em diversas regiões. Paralelamente, há expectativa de reunião entre Kassab e o presidente da Assembleia Legislativa, André do Prado (PL), para tratar de uma possível reaproximação e ampliar o apoio político.

Kassab também busca “reconhecimento formal e público” de Tarcísio pelo papel desempenhado na eleição de 2022. Pessoas próximas relatam que havia um acordo para que ele ocupasse a vice em uma eventual reeleição e que o dirigente se sentiu “traído”, o que é negado por interlocutores do governador.
O distanciamento entre os dois abriu espaço para movimentações políticas. O PT passou a considerar uma aproximação entre Kassab e Fernando Haddad, pré-candidato ao governo paulista. Haddad enviou mensagem ao dirigente do PSD e afirmou que gostaria de “ouvi-lo” para entender “por que ele apoia” o atual governador. Kassab respondeu que pode dialogar, mas reiterou o apoio já definido.
— Ele (Haddad) enviou uma mensagem de feliz Páscoa e eu a retribuí. Até posso conversar com ele, pois discutir políticas públicas e ideias é muito importante (…), mas o apoio ao governador Tarcísio é uma questão já decidida no PSD — disse Kassab.