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Ninguém quer saber quais são as ideias de Flávio Bolsonaro para a economia. Por Moisés Mendes

Flávio Bolsonaro – BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsak

Flávio Bolsonaro vem repetindo que fará o que seu pai fez de 2019 a 2022, e as reações de quem deveria analisar a declaração são as mais simplórias e inúteis, com raras exceções.

Flávio não repete que vai reprisar o pai porque assim transmite alguma informação relevante para a Faria Lima e o agro. Ele diz o mais básico porque não sabe na verdade o que dizer.

Bolsonaro nunca fez uma declaração com algum fundamento sobre economia, porque Paulo Guedes falava por ele. O filho também não domina essa área.

Bolsonaro não dominava a economia, a saúde, a área social. Só entendia de cloroquina. Mas enrolou meio Brasil com a história de que foi prejudicado pela pandemia.

Flávio diz a banqueiros e empresários que vai cortar impostos e gastos. É um clichê que se repete desde a ditadura. Não quer dizer nada. Um papagaio diz isso.

Flávio se mantém como nome competitivo e único capaz de enfrentar Lula porque está provado que a guerra é de todos contra o presidente e o PT.

Não é porque possa ter uma ideia de governo. Quanto menos falar sobre o que pretende fazer, melhor para ele. Ninguém que vota na direita quer saber de plano algum.

Quer que ele derrote Lula e seja capaz, sem saber nada do que faz, de acionar mecanismos disruptivos. O eleitor da direita não quer Lula e acredita que pode esperar por algum milagre.

Se lançar um programa de governo amanhã, o filho ungido certamente não saberá defendê-lo. Por falta de ferramentas para a compreensão das estruturas e mecanismos do Estado.

O que Flávio sabe sobre déficit fiscal? O que sabe sobre metas de inflação? O que acha que sabe sobre o funcionamento do Banco Central dos juros altos, que seu pai tornou independente?

pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro em montagem de duas fotos, chorando
O pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro – Reprodução

Flávio é talvez o mais esperto da família no sentido de gerir renda, como administrador do dinheiro do pai e dos irmãos. Mas deve empatar com Eduardo e Carluxo como analfabetos sobre o funcionamento do setor público.

O que ele deveria fazer, por conselho que se dá de graça, por mais óbvio que pareça, é escolher o seu ministro da Fazenda por antecipação e deixar que ele fale pela direita e pelo fascismo sobre os interesses das elites.

Como seu pai fez, ao antecipar, em novembro de 2017, pouco menos de um ano antes da eleição, que Guedes seria o seu posto Ipiranga. Por que o filho não faz o mesmo? Porque não precisa. Ninguém vai cobrar transparência ou coerência de Flávio.

A possibilidade de retorno da extrema direita ao poder é uma ideia absorvida pela metade da população. Sem que ninguém saiba o que ele pensa sobre o mais elementar das políticas públicas que interferem na vida das pessoas. Não precisa saber. Basta manter a essência bolsonarista.