
Mensagens encontradas em celulares ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro detalham a atuação de executivos do Banco Master em negociações com o Banco de Brasília (BRB), segundo investigação da Polícia Federal. O material integra a Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de irregularidades financeiras e levou à prisão de dirigentes das duas instituições. As informações são do UOL.
De acordo com a apuração, os diálogos indicam a tentativa de estruturar operações para sustentar o banco em meio a dificuldades financeiras. Em uma das conversas, Vorcaro pede: “Precisa liberar a turma do BRB para visitar o imóvel”, em referência a negociações que, segundo a PF, envolvem vantagens ligadas a imóveis de alto padrão.
As mensagens também mostram a criação de carteiras de crédito que, conforme os investigadores, não possuíam lastro real. Em um trecho, Vorcaro afirma: “Irmão, se não mandarmos essas CCBs [cédulas de crédito bancário] até meio-dia, não vamos ter opções mais”, indicando pressão interna para formalizar operações financeiras em curto prazo.

Outro ponto destacado pela investigação é a tentativa de apresentar dados inconsistentes ao BRB durante o processo de negociação. Em diálogo posterior, Vorcaro questiona divergências nos valores: “Não interessa. Não fecha a conta. Vamos ter que colocar remuneração”, segundo registros analisados pela PF.
A apuração também aponta que as tratativas com o banco público começaram ainda em 2024 e envolveram diferentes interlocutores do mercado financeiro. Os dados indicam que mesmo após a saída formal de executivos, houve participação em negociações relacionadas às operações investigadas.
Por fim, as mensagens revelam preocupação com a situação financeira do banco e a possibilidade de colapso. Em um dos diálogos, um dos envolvidos afirma: “Não tem a menor condição de ficar de pé”, em referência à sustentabilidade do Master. A investigação segue em andamento e inclui a análise de outros dispositivos apreendidos.