
O escândalo do Powerpoint mostrou um método, não um deslize.
Na semana passada, Andréia Sadi repercutiu uma apuração citando o golpista Paulo Figueiredo como fonte.
Segundo Sadi, Figueiredo e seu comparsa Eduardo Bolsonaro estão tentando viabilizar a retomada da aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). “Figueiredo disse ao blog ver o Brasil ‘cavando uma nova briga’ com Trump”, afirma ela.
O público não foi informado de que Paulo Figueiredo está morando nos EUA porque fugiu do Brasil. É acusado de corrupção. Tentou dar um golpe de estado. Foi preso em terras americanas.
Isso não é detalhe. Isso é central. Ah, sim: ele também tem esquemas envolvendo pagamento de propinas no âmbito do Banco de Brasília, o BRB. Etc etc.
Bolsonaristas buscam junto a interlocutores de Trump retomada da Lei Magnitsky contra Moraes. Aliado de Eduardo Bolsonaro disse à jornalista @AndreiaSadi que Brasil está ‘cavando uma nova briga’ com os Estados Unidos.
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— GloboNews (@GloboNews) April 17, 2026
Por que nada disso foi dito ao espectador?
Ao esconder esse histórico, a GloboNews não apenas entrevista — ela reabilita a imagem de um bandido em tempo real.
Por que não chamar Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, para comentar segurança pública?
Não é “pluralidade”. Não é “ouvir o outro lado”. É normalização de alguém que deveria ser apresentado com todas as ressalvas possíveis.
Se a decisão editorial é entrevistar, que se entreviste. Mas com transparência total.
A Globo não pode reclamar da crise de credibilidade enquanto trata como comentaristas legítimos verdadeiros delinquentes.
Figueiredo está em casa na Globo, como seu avô ditador antes dele. É tudo parte da mesma quadrilha.