
A tatuagem de borboleta passou a ser alvo de discursos de grupos identificados como red pill nas redes sociais. Nessas publicações, o símbolo é associado a características negativas atribuídas a mulheres, como “promíscuas” e “emocionalmente instáveis”.
Especialistas ouvidos afirmam que esse tipo de associação não possui fundamento e destacam que o significado da tatuagem varia conforme a experiência individual. A socióloga Beatriz Patriota aponta que a imagem da borboleta é utilizada desde a popularização da tatuagem no Ocidente.
No Brasil, a prática ganhou maior visibilidade a partir da década de 1990, com a presença em novelas e músicas. Desde então, o desenho passou a ser associado a conceitos como feminilidade e delicadeza.
A borboleta também é vinculada à ideia de liberdade, por ser um animal que voa, e à transformação, em razão do processo de metamorfose. Esses significados são frequentemente citados por profissionais da área e por pessoas que optam pela tatuagem.

Pesquisadores indicam que tatuagens são construções sociais e que símbolos podem ser alvo de estigmatização ao longo do tempo. Casos semelhantes já ocorreram com outras imagens, associadas a diferentes interpretações conforme o contexto.
O significado atribuído a uma tatuagem pode variar de acordo com cada pessoa. Profissionais relatam que clientes escolhem o desenho por diferentes motivos, incluindo estética, lembranças pessoais e experiências marcantes.
A associação negativa à borboleta passou a circular com mais intensidade há cerca de um ano, após conteúdos divulgados por influenciadores ligados à chamada “machosfera”. A partir disso, comentários e questionamentos passaram a aparecer em perfis de mulheres com a tatuagem.
Relatos indicam que o símbolo também é utilizado em contextos pessoais, como homenagens, superação de doenças e registros de momentos importantes. O uso da imagem permanece difundido entre diferentes públicos e faixas etárias.