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O desabafo do homem com psicose que atacou o pai: “Algo me dizia para matá-lo”

Cohen Miles-Rath e o pai, Randy Miles-Rath. Foto: Reprodução/ NYT

Em Cohocton, no estado de Nova York (EUA), o caso de um jovem em surto psicótico que atacou o próprio pai ganhou destaque nas redes sociais após reportagem publicada pelo The New York Times. O episódio envolve Cohen Miles-Rath, hoje com 32 anos, e seu pai, Randy Miles-Rath, que sobreviveu ao ataque ocorrido dentro da casa da família.

O caso aconteceu durante um grave episódio de psicose vivido por Cohen, então jovem adulto e ex-estudante universitário da SUNY Geneseo. Dentro da residência onde moravam, ele avançou contra o pai com uma faca após uma sequência de delírios. Durante a agressão, chegou a dizer aos policiais: “Eu não queria matá-lo, mas algo ficava me dizendo para matá-lo”.

A violência durou poucos segundos, mas teve consequências profundas. Randy ficou ferido, chegou a prestar queixa e obteve uma ordem de restrição contra o filho. Cohen acabou preso e passou a responder por agressão em segundo grau e dano criminoso, enquanto ainda lidava com alucinações intensas e desorientação.

Antes do ataque, Cohen já apresentava sinais de ruptura com a realidade. Ele acreditava receber mensagens e interpretar o mundo por sinais simbólicos. Em um dos relatos, afirmou: “Eu não quero matá-lo. Eu amo meu pai. Não posso matá-lo”, repetindo a si mesmo momentos antes de pegar a faca na cozinha.

Cohen nos tempos de corredor universitário. Foto: Reprodução/ Sjfathletics

O episódio foi precedido por uma escalada de sintomas psicóticos, intensificados após o uso diário de maconha e o fim de sua carreira como corredor universitário. Cohen passou a relatar percepções distorcidas do ambiente, como cores associadas a significados e a sensação de que forças externas guiavam suas ações.

Durante o surto, ele descreveu uma desconexão completa da própria identidade. “Eu sentia que tinha me livrado completamente da minha identidade… parecia que eu era Deus”, relatou. Em meio às alucinações, acreditou que o pai estava possuído, o que desencadeou o ataque dentro da casa da família em Cohocton.

Após ser preso e posteriormente liberado sob tratamento psiquiátrico, Cohen recebeu medicação antipsicótica e apresentou melhora gradual. O pai retirou as acusações, e os dois reconstruíram a relação ao longo dos anos. Em reencontro após o episódio, Cohen pediu desculpas: “Me desculpa, pai”, ao que Randy respondeu: “Não se preocupe com isso, filho. Eu te amo”.

Anos depois, Cohen passou a relatar publicamente sua experiência com psicose e a atuar na área de saúde mental. Ele reconhece a gravidade do episódio e reflete sobre o limite entre consciência e delírio: “Eu lembro daquele momento. Era eu. E não era eu”. Hoje, ele vive com a companheira e a filha recém-nascida, enquanto segue monitorando sua condição.