Logo DCM
Logo DCM
Apoie o DCM

Ex-deputado e pró-ditadura: quem foi o pai de Ana Paula Renault, do BBB 26

Gerardo e Ana Paula Renault. Foto: reprodução

Pai da finalista do “Big Brother Brasil 26” Ana Paula Renault, Gerardo Henrique Machado Renault, ex-deputado famoso por sua atuação contra indígenas durante a ditadura militar, morreu aos 96 anos no último domingo (19), justamente no Dia dos Povos Indígenas. Com longa carreira na política tradicional mineira, ele teve adesão ao bloco civil que sustentou a ditadura militar. A família informou a morte pelas redes sociais da jornalista; Gerardo estava internado desde o início do mês, e a causa não foi divulgada.

Começou a carreira pública ainda em 1951, como vereador de Belo Horizonte, e depois ocupou mandatos de deputado estadual e federal, além de ter presidido o Instituto de Previdência do Legislativo de Minas Gerais.

Antes de se tornar um nome conhecido da política mineira, Renault se formou em direito pela então Universidade de Minas Gerais em 1951. Na vida pública, teve uma carreira longa e contínua: foi vereador de Belo Horizonte de 1951 a 1967, deputado estadual de Minas de 1967 a 1979 e deputado federal na legislatura de 1979 a 1983, com passagens também pelo secretariado estadual.

Foi justamente durante a ditadura que sua atuação ganhou mais peso político. Gerardo Renault se elegeu deputado estadual pela Arena, legenda criada para dar sustentação ao regime militar, e chegou a exercer posições de destaque na base governista. Na Câmara dos Deputados, os registros oficiais apontam que ele foi vice-líder do governo e vice-líder da Arena em 1971 e 1972, o que o colocava no núcleo de articulação parlamentar do regime. Com o fim do bipartidarismo, migrou para o PDS, partido sucessor da Arena.

Gerardo Renault durante a ditadura militar e aposentado, anos depois. Foto: reprodução

A atuação de Gerardo Renault nesse período não se resumiu à vinculação partidária. Documentos e registros históricos também o associam a posições alinhadas à lógica autoritária e tutelar do regime. Um dos episódios mais lembrados envolve sua atuação em relação ao povo Maxakali.

Em acervo do Instituto Socioambiental, há referência a uma carta redigida em resposta a discurso do então deputado contra indígenas. Outro documento registra que ele encaminhou comunicação ao governo mineiro sugerindo pressão policial sobre a Funai em meio ao conflito envolvendo os Maxakali, em uma linha de intervenção e controle estatal típica daquele período.

Mesmo depois do fim formal da ditadura, Renault permaneceu ligado ao campo político que dera sustentação ao regime. Em 1985, já no PDS, ele aparece em registros do período do Colégio Eleitoral e também é citado em verbetes históricos sobre a sucessão presidencial daquele momento.

Na vida pessoal, Gerardo teve cinco filhos. Ana Paula Renault era fruto de seu segundo casamento com Maria da Conceição Machado Renault, morta em 1998 em um acidente de carro. Pouco antes de entrar no BBB 26, a jornalista relatou preocupação com o estado de saúde do pai, que chegou a gravar um vídeo para tranquilizá-la: “Oi, filhinha, tudo bem? Saudades são muitas. Estou torcendo por você. Um beijo carinhoso do seu pai que te ama muito”, disse.