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Empresa americana compra única mina de terras raras no Brasil por R$ 14 bilhões

Mina de Terras Raras Serra Verde, em Goiás. Foto: Reprodução

A americana USA Rare Earth (USAR), listada na Nasdaq, anunciou nesta segunda (20) a assinatura de um acordo para adquirir 100% do Serra Verde Group, dono da única mina que produz e processa terras raras no Brasil. A transação foi estimada em cerca de US$ 2,8 bilhões (cerca de R$ 14 bilhões) e será paga com US$ 300 milhões (R$ 1,5 bilhão) em caixa e a emissão de 126,8 milhões de novas ações ordinárias da USAR, com base no preço de fechamento de US$ 19,95 (R$ 99,52) em 17 de abril.

A transação, prevista para ser concluída no terceiro trimestre, acontece em uma corrida por fontes alternativas à China, que controla esse mercado. Terras raras são um grupo de elementos que, junto com minerais como lítio, nióbio e cobalto, compõem a categoria dos chamados minerais estratégicos, insumos essenciais para veículos elétricos, armamentos e chips, entre outros produtos.

A China domina a produção e o processamento desses materiais, e esse virtual monopólio a beneficia em disputas geopolíticas. Depois de abandonar essa cadeia, os americanos viram o futuro de algumas indústrias estratégicas vulneráveis às políticas restritivas chinesas.

A Serra Verde, localizada em Goiás, é a única mineradora fora da Ásia a extrair em escala comercial os quatro elementos mais cobiçados dos 17 que são chamados de terras raras, segundo o Ministério de Minas e Energia.

De acordo com a USAR, essa característica faz da Serra Verde um “ativo único” fora da Ásia. Esses minérios são estratégicos para a expansão da inteligência artificial (IA), transição energética e sistemas de defesa.

Logo da USA Rare Earth (USAR). Foto: Reprodução

Os Estados Unidos estão tentando montar uma cadeia alternativa. Um dos pontos centrais do negócio de terras raras é a criação de uma cadeia integrada de produção. Hoje, mesmo quando a mineração ocorre fora da China, grande parte do processamento e da fabricação de ímãs ainda depende do país asiático.

A aposta da USA Rare Earth é verticalizar essa produção: além de extrair e separar os minerais, a empresa quer avançar até a fabricação de ímãs. A ideia é conectar a produção brasileira com plantas industriais nos EUA, França e Reino Unido.

“Além do conhecimento pioneiro da Serra Verde em mineração e processamento de terras raras, a empresa resultante da fusão terá acesso à melhor tecnologia de separação, processamento e metalurgia de terras raras por meio de suas próprias operações e parcerias estratégicas, que abrangem os EUA e seus aliados”, disse a empresa no comunicado sobre a aquisição.

Com isso, a empresa busca criar a primeira cadeia de suprimentos de terras raras totalmente integrada “da mina ao ímã” fora da Ásia.

A unidade da Serra Verde tem capacidade de produzir cerca de 5 mil toneladas por ano desses minerais já processados. Toda a produção inicial está comprometida em um contrato de 15 anos da mineradora com uma Sociedade de Propósito Específico (SPE) financiada por agências do governo americano e investidores privados.

O acordo inclui preços mínimos garantidos para os principais elementos, assegurando previsibilidade de receita mesmo em cenários de queda nos preços internacionais. A Serra Verde obteve recentemente um financiamento de US$ 565 milhões do braço de investimentos no exterior do governo americano, com a condição de que parte da produção deve ter como destino o país ou “partes alinhadas”.