Logo DCM
Logo DCM
Apoie o DCM

VÍDEO – Lula zomba de Trump por querer Nobel da Paz: “Dê logo para não ter mais guerras”

Lula e Luís Montenegro, primeiro-ministro de Portugal. Foto: Ricardo Stuckert

Em sua chegada a Portugal nesta terça-feira (21), o presidente Lula (PT) ironizou Donald Trump em coletiva ao lado do primeiro-ministro Luís Montenegro. Na ocasião, o petista provocou o estadunidense ressaltando a contradição dele em se declarar merecedor do prêmio Nobel da Paz e ser um dos responsáveis pelo maior número de guerras vigentes no mundo após a Segunda Guerra Mundial.

“É importante lembrar que hoje temos a maior quantidade de conflitos da história após a Segunda Guerra Mundial e não temos nenhuma instituição capaz de falar a palavra paz”, disse o presidente.

“A gente vê todos os santos dias declarações que, eu não sei se por brincadeira ou não, o presidente Trump dizendo que já acabou com 8 guerras e não ganhou o prêmio Nobel da Paz. Então, é importante que a gente dê logo um prêmio para o Trump para não ter mais guerra, aí o mundo vai ver em paz, tranquilamente”.

A viagem ocorre após agendas políticas na Espanha e compromissos econômicos na Alemanha, e chega em um momento sensível para a comunidade brasileira em Portugal. Cerca de meio milhão de brasileiros vive oficialmente no país, enfrentando uma nova Lei de Estrangeiros considerada mais restritiva, além de relatos crescentes de discriminação.

Logo na chegada, Lula deve receber uma carta da Casa do Brasil de Lisboa com alerta sobre o agravamento do clima de intolerância. O documento cita um relatório da polícia portuguesa que registrou 449 casos de discriminação e incitação ao ódio em 2025. “Solicitamos ao governo brasileiro que manifeste firmemente a sua preocupação e exija medidas eficazes de combate ao racismo”, diz a carta.

O tema já chegou ao Congresso brasileiro. O deputado Reginaldo Lopes (PT) enviou um ofício ao chanceler Mauro Vieira com base em denúncias sobre dificuldades enfrentadas por imigrantes da CPLP para obter autorização de residência. A imigração deve ser um dos principais pontos nas reuniões de Lula com autoridades portuguesas.

Além da pauta diplomática, a visita também provocou reação política. O partido de extrema-direita Chega convocou um protesto em frente ao Palácio de Belém, afirmando que o ato também é contra a corrupção e declarando que “corruptos não devem ser recebidos com honras de Estado”.

A manifestação foi criticada pelo comentarista Miguel Relvas, da CNN Portugal, que classificou o movimento como prejudicial à relação entre países aliados. “Uma coisa que eu não concordo é essa coisa de atacarmos o presidente Lula, de atacarmos os presidentes dos países amigos. É um erro, um erro histórico em Portugal”, afirmou.

Relvas também destacou o papel de Lula durante a crise econômica portuguesa de 2011, lembrando a atuação internacional do brasileiro em defesa do país europeu. “É uma coisa que é importante, é que Portugal, em 2011, quando estava a falir, um dos poucos líderes mundiais, na altura não era presidente do Brasil, que deu a cara em todo o mundo e em todos os Foros a defender Portugal, que merecia e devia ser ajudado, foi o presidente Lula. Nós temos que ser gratos”, disse Relvas.