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Os medos e fragilidades de Trump em meio a ameaças contra o Irã

Donald Trump faz gesto de arma com as mãos. Foto: Kent Nishimura/AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mantém um discurso público de confronto na guerra contra o Irã, mas relatos de bastidores ouvidos pelo Wall Street Journal indicam preocupações com os impactos políticos e militares do conflito. A ofensiva já ultrapassou o prazo inicial de seis semanas citado pelo próprio governo e ocorre em meio à proximidade das eleições de meio de mandato.

Um dos episódios centrais foi a queda de um caça americano em território iraniano, seguida de uma operação de resgate de militares. Durante as discussões, Trump mencionou a crise dos reféns enfrentada por Jimmy Carter, associando o episódio ao risco eleitoral. Nos bastidores, ele expressou preocupação com a possibilidade de captura de soldados e seus efeitos políticos.

Durante cerca de 40 horas de buscas, assessores limitaram o acesso do presidente às atualizações, avaliando que sua reação poderia prejudicar a condução da operação. Após a conclusão da missão, Trump voltou a adotar tom agressivo em declarações públicas e em redes sociais, com ameaças diretas ao governo iraniano.

O conflito também envolve o fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o petróleo global. A medida elevou a pressão sobre a Casa Branca, que respondeu com envio de navios de guerra, tropas adicionais e equipes de operações especiais para o Oriente Médio.

Fumaça em Teerã, Irã. Foto: AP

Apesar da escalada militar, o governo não executou uma ofensiva terrestre. Entre as alternativas avaliadas esteve a tomada da Ilha de Kharg, responsável por grande parte das exportações iranianas de petróleo. A proposta foi descartada após avaliação de risco de altas baixas entre militares americanos.

Interlocutores indicam que Trump alterna entre discursos de ataque e sinalizações de negociação, incluindo menções a cessar-fogo. Autoridades iranianas, no entanto, contestaram publicamente declarações sobre avanços diplomáticos feitas pelo presidente americano.

O conflito já soma milhares de mortos, incluindo militares dos EUA, e provocou deslocamento em massa de civis na região. A crise também afetou economias de países vizinhos e comprometeu o fluxo de energia global.

Pesquisas de opinião nos Estados Unidos apontam aumento da desaprovação à condução da guerra. Internamente, assessores também tentaram conter declarações improvisadas do presidente, avaliando que mensagens contraditórias poderiam afetar a percepção pública sobre o conflito.