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Escala 6×1: CCJ escolhe qual relatório avança para pôr fim à jornada; veja os detalhes

Manifestação pelo fim da escala 6×1. Foto: reprodução

A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados vota nesta quarta-feira (22) o parecer favorável ao avanço das propostas que preveem o fim da escala 6×1 no Brasil. O tema, que surgiu de movimentos populares, ganhou força no Congresso e passou a mobilizar governo, parlamentares, empresários e economistas, diante do impacto que uma eventual mudança na jornada de trabalho pode ter sobre empresas e trabalhadores.

O parecer em análise é do deputado Paulo Azi (União-BA). Na semana passada, depois da leitura do relatório, o deputado Lucas Redecker (PSD-RS), contrário ao fim da escala 6×1, apresentou um pedido de vista, o que adiou a votação por mais tempo. Agora, a CCJ vai se limitar a examinar a admissibilidade das propostas, ou seja, se elas são compatíveis com a Constituição.

Hoje, há mais de uma proposta em tramitação na Câmara para alterar a jornada de trabalho atualmente fixada, na maioria dos casos, em 44 horas semanais.

Em fevereiro, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), determinou que a proposta apresentada por Erika Hilton (PSOL-SP) e a de Reginaldo Lopes (PT-MG) passassem a tramitar em conjunto. Se a admissibilidade for aprovada, os textos seguirão como uma única proposta, que ainda passará por Comissão Especial e, depois, pelo plenário da Casa.

Hugo Motta já sinalizou que pretende instalar a Comissão Especial logo após a validação da CCJ. Nessa nova etapa, o conteúdo poderá sofrer alterações antes de ser levado ao plenário. Mesmo se for aprovada na Câmara, a proposta ainda terá de ser discutida pelo Senado.

Enquanto isso, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu enviar um projeto de lei próprio sobre o mesmo tema. A avaliação do Planalto é que um projeto de lei pode avançar com mais facilidade, porque exige menos votos e tem tramitação mais simples do que uma proposta de emenda à Constituição. Uma PEC precisa de apoio mínimo de 308 deputados, enquanto um projeto de lei depende apenas da maioria dos presentes no momento da votação.

Rick Azevedo, líder do Movimento Vida Além do Trabalho (VAT), e Erika Hilton. Foto: reprodução

Apesar de o governo ter optado por apresentar uma proposta própria, a decisão não agradou Hugo Motta, que disse querer manter a tramitação das PECs. Ainda assim, o presidente da Câmara afirmou que respeita a iniciativa do Executivo.

As diferenças entre os textos são relevantes: a PEC de Erika Hilton reduz a jornada para 36 horas semanais e prevê prazo de 360 dias para a nova regra entrar em vigor; a proposta de Reginaldo Lopes também fixa 36 horas, mas com transição de dez anos; já o projeto enviado pelo governo estabelece jornada de 40 horas semanais e tramita sob urgência constitucional.