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Irã ataca navios cargueiros no Estreito de Ormuz após Trump anunciar cessar-fogo

Navio de carga da MSC no Estreito de Ormuz. Foto: reprodução

O Irã voltou a tensionar o Golfo Pérsico ao atacar navios de carga no estreito de Ormuz nesta quarta-feira (22), no primeiro dia da nova prorrogação do cessar-fogo anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A ofensiva ocorre em meio a um cenário de incerteza diplomática e reforça o risco de escalada no conflito que já impacta diretamente o mercado global de energia.

A Guarda Revolucionária iraniana confirmou ter atacado e tomado duas embarcações próximas à sua costa: o MSC Francesca, de bandeira panamenha, e o Epaminondas, registrado na Libéria. Ambos foram atingidos por disparos, mas não houve feridos.

A agência de monitoramento naval da Marinha britânica, UKMTO, informou ainda que um terceiro navio foi abordado e sofreu danos por tiros, sem confirmação sobre a origem dos ataques.

O episódio ocorre após Trump estender a trégua por tempo indeterminado, mais um recuo na condução da guerra iniciada em 28 de fevereiro contra o Irã, em aliança com Israel. Apesar da suspensão dos ataques diretos, o governo estadunidense manteve o bloqueio naval aos portos iranianos, fator central de tensão na região.

A UKMTO alertou que a navegação no estreito segue extremamente perigosa, tanto pelas ações iranianas quanto pelo embargo imposto pelos Estados Unidos.

Vista aérea do Estreito de Ormuz. Foto: reprodução

Nesta quarta-feira, um superpetroleiro de bandeira filipina foi interceptado por forças estadunidenses e obrigado a retornar. Segundo levantamento recente, ao menos 27 navios já recuaram diante do bloqueio, enquanto 34 conseguiram atravessar. O cargueiro iraniano Touska foi alvejado e apreendido no último domingo (19).

A instabilidade tem reflexo direto no preço do petróleo. Após leve queda com o anúncio da trégua, o barril do tipo Brent voltou a se aproximar de US$ 100 diante dos ataques. Antes do conflito, cerca de 20% do petróleo global passava pelo estreito de Ormuz, o que torna a região estratégica para a economia mundial.

Enquanto isso, as negociações por um acordo mais amplo seguem travadas. O Irã condiciona qualquer avanço ao fim do bloqueio naval, que considera uma violação do cessar-fogo. Teerã também mantém posição firme sobre o programa nuclear e a liberdade de navegação na região. As conversas mediadas pelo Paquistão, em Islamabad, ainda não avançaram, apesar da mobilização de delegações.

Internamente, há sinais de instabilidade no comando iraniano. O novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, ainda não apareceu publicamente, e divergências entre autoridades civis e militares têm dificultado a condução das negociações. Mesmo assim, a estratégia iraniana tem sido demonstrar força no campo militar.

Trump voltou a pressionar economicamente o país. Em publicação, afirmou: “O Irã está colapsando financeiramente! Eles querem o estreito de Hormuz aberto imediatamente — faminto por dinheiro! Perdendo US$ 500 milhões por dia. Militares e policiais reclamam que não estão sendo pagos. SOS!!!”.