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Prefeito tiktoker cria buraco fake para viralizar com VÍDEO nas redes sociais, dizem funcionários

Rodrigo Manga em vídeo nas redes sociais. Foto: reprodução

Uma denúncia de servidores do Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Sorocaba (Saae) aponta que a autarquia teria “fabricado” um problema em uma rua da cidade para permitir que o prefeito bolsonarista Rodrigo Manga (Republicanos), conhecido nas redes como “prefeito tiktoker”, gravasse um vídeo de efeito para internet.

Segundo os relatos ao g1, equipes do Saae e de uma empresa terceirizada foram mobilizadas no dia 9 de abril para abrir e fechar um buraco no Jardim Leocádia que teria servido apenas de cenário para a filmagem.

De acordo com o material obtido com exclusividade, ordens de serviço teriam sido abertas para justificar a intervenção e o uso de servidores públicos no local. Funcionários afirmam que os procedimentos foram montados para dar aparência de legalidade à operação. Um dos pontos que levantou suspeitas foi o fato de que, para os serviços atribuídos ao Saae, seria necessário abrir o poço de vistoria da via. No entanto, como aparece no vídeo publicado pelo prefeito, a tampa não chegou a ser movimentada em nenhum momento.

O vídeo gravado no local tem 19 segundos e, até segunda-feira (20), já havia ultrapassado 6 milhões de visualizações no Instagram, com mais de 300 mil curtidas.

Nas imagens, uma pessoa aparece diante de dois buracos, o prefeito surge, empurra o personagem para dentro da vala e usa a cena para falar de obras na cidade, encerrando com o bordão “vem morar em Sorocaba”. Para os denunciantes, o episódio indica uso da máquina pública para encenação e produção de conteúdo político nas redes.

@rodrigomangaoficial ENTREI NA TREND@Sirlange Frate Maganhato ♬ som original – Rodrigo Manga

As inconsistências não param aí. Um documento produzido pela autarquia traz fotos do “antes e depois” do suposto reparo, mas as duas imagens são idênticas, sem qualquer diferença entre si.

Antes e depois idênticos em buraco

Além disso, segundo os servidores, as fotos nem sequer foram feitas no mesmo ponto da intervenção: teriam sido registradas em outro local, a cerca de 70 metros de distância. Em um dos papéis, referente a um suposto vazamento, aparece ainda a anotação de que “não é vazamento da parte do Saae”.

Documento que mostra que obra não era de responsabilidade da Saae

A mobilização também chamou atenção pelo tamanho. Ao menos dez servidores foram deslocados para a ocorrência. Um funcionário ouvido pela reportagem afirma que não havia qualquer problema real no ponto em que a vala foi aberta. “Não havia absolutamente nada. Foi feito para justificar essa demanda. Se verificar no GPS das equipes, vai ver que nunca estiveram todas as equipes na mesma ocorrência em tão pouco tempo”, disse.

Outro detalhe reforça a suspeita. O chamado aberto indicava uma boca de lobo entupida, mas, em vez de o equipamento ser aberto para manutenção, foi cavado um buraco ao lado do poço de vistoria, que permaneceu intacto. Uma foto feita instantes antes do início dos trabalhos também não mostra sinais de afundamento de solo, vazamento de água ou lançamento de esgoto na rua.