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Rádio Eldorado vai fechar após 68 anos e demitir funcionários

Estúdio da Rádio Eldorado. Foto: Reprodução

A Rádio Eldorado, com 68 anos de história, anunciou o encerramento de suas atividades nesta quarta (22). A decisão foi comunicada aos acionistas e funcionários, que serão demitidos. A emissora, que atualmente opera na frequência 107.3 FM, deixará a onda no dia 14 de maio.

No dia seguinte, o Grupo Bandeirantes de Comunicação assumirá a frequência, após uma negociação direta com a Fundação Brasil 2000, proprietária da frequência. A mudança no dial vem em resposta a um reposicionamento estratégico do grupo Estado, dono da rádio.

Em nota, o grupo Estado justificou o fechamento com a transformação no consumo de áudio, especialmente após a pandemia. A ascensão das plataformas de streaming e a mudança nos hábitos de consumo afetaram as rádios FM tradicionais.

“Essa decisão se insere em um movimento mais amplo de reposicionamento estratégico do Estadão, que vem ampliando de forma consistente sua presença digital. Nos últimos dois anos, a companhia intensificou sua produção audiovisual, por exemplo, com a contratação de 14 colunistas com atuação multiplataforma, responsáveis por conteúdos em texto e vídeo”, diz o comunicado.

Antena na avenida Paulista, em São Paulo. Foto: Danilo Verpa/Folhapress

Segundo a Folha de S.Paulo, os primeiros indícios do fechamento da Eldorado surgiram em janeiro, quando foi divulgada uma informação sobre a possível transferência do dial para a Band. No entanto, os funcionários da rádio só receberam confirmação oficial após uma reunião interna, quando o grupo Estado já estava ciente das tratativas para desocupar o canal em maio.

A decisão de encerrar as atividades, em vez de tentar uma migração para outra frequência, foi baseada em questões financeiras, uma vez que o custo de operação em outra frequência comercial seria significativamente mais alto.

A rádio, que operava como uma emissora educativa, possuía custos operacionais mais baixos devido à natureza da frequência, mas a mudança para uma frequência comercial implicaria em um aumento substancial de despesas.

Os funcionários relataram que o Estadão não buscou alternativas comuns no setor, como parcerias ou venda de “naming rights”, para manter a emissora funcionando. Além disso, a rádio não contava com uma equipe própria especializada em vendas de publicidade em áudio, o que limitava seu potencial de geração de receita.