
A escolha de Hung Cao como secretário interino da Marinha dos Estados Unidos já começou cercada de controvérsias — e não por questões técnicas, mas por declarações consideradas ofensivas e de extremo mau gosto.
Cao, que ocupava o cargo de subsecretário da Marinha, foi alçado à chefia interina após a saída de John Phelan, que deixou o posto em meio a divergências com o secretário de Defesa Pete Hegseth e seu adjunto, Stephen Feinberg. A troca marca mais um episódio de instabilidade dentro da equipe ligada ao ex-presidente Donald Trump.
O problema é que, assim que o nome de Cao foi anunciado, vieram à tona declarações antigas que levantam dúvidas sobre seu julgamento e postura pública. Em uma entrevista de 2024 ao canal America’s Real Voice, Cao fez uma “piada” envolvendo a Ku Klux Klan (KKK), grupo historicamente ligado ao racismo e à violência nos Estados Unidos.
Na ocasião, ele ironizou possíveis acusações de supremacismo branco dizendo: “Tenho só um pedido: quando me derem meu capuz, que tenha fendas em vez de círculos, para eu enxergar melhor”.
Here is a video of new Acting Navy Secretary Hung Cao asking for a KKK hood with "slits" as eye holes instead of circles so he can see better pic.twitter.com/grsIKJ3osB
— FactPost (@factpostnews) April 23, 2026
O comentário constrangeu até o entrevistador e foi amplamente criticado posteriormente nas redes sociais, especialmente diante do histórico violento e racista da organização mencionada.
Além disso, outras falas consideradas problemáticas ressurgiram, incluindo declarações em que Cao menciona ter sido “explodido várias vezes” em combate. Durante sua campanha ao Congresso em 2022, ele afirmou estar “100% incapacitado” devido a ferimentos de guerra — uma alegação que também gerou questionamentos.
A nomeação de Cao reforça a percepção de que figuras controversas continuam sendo promovidas em círculos políticos ligados a Trump, mesmo após episódios públicos que colocam em xeque sua capacidade de liderança e sensibilidade institucional. Para críticos, não se trata apenas de “piadas infelizes”, mas de sinais preocupantes sobre o tipo de discurso normalizado em altos cargos do governo.