
A Polícia Federal consultou o presidente Lula sobre seu interesse em apresentar representação para a abertura de investigação contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por crimes contra a honra, segundo a coluna de Paulo Cappelli no Metrópoles. A apuração foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes (STF), com base em críticas feitas ao petista na rede social X.
Moraes autorizou o processo após uma representação encaminhada pela PF a pedido do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). De acordo com o parecer, a corporação enviou um ofício ao presidente para saber se ele desejaria autorizar o prosseguimento do caso.
“Expedição de ofício ao Exmo. Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, consultando-o sobre o interesse de representar para a inauguração da persecução penal relativa aos delitos contra a sua honra”, diz o documento. O parecer também descreve os próximos passos em caso de manifestação favorável do presidente.
Se Lula concordar com a representação, o procedimento será encaminhado às instâncias internas da PF para continuidade das medidas investigativas. O parecer sugere a remessa do caso à Diretoria de Inteligência da Polícia Federal (DIP/PF) para as providências pertinentes à polícia judiciária, conforme a Portaria nº 155 de 27 de setembro de 2018 do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
A solicitação de abertura do inquérito foi encaminhada pelo MJSP a Moraes, que determinou o envio dos autos à PF, com prazo de 60 dias para a realização das diligências iniciais. A Procuradoria-Geral da República (PGR) também deu parecer favorável, apontando indícios suficientes para a apuração do caso, após analisar o parecer da PF.

O caso se originou de uma publicação de Flávio Bolsonaro em 3 de janeiro de 2026, na plataforma X. A postagem associou imagens de Lula ao então presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e sugeriu que o petista seria “delatado” por suposto cometimento de crimes.
A publicação motivou a consulta ao presidente porque que a legislação penal brasileira exige manifestação da vítima para que crimes contra a honra, como injúria, calúnia e difamação possam ser investigados.