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Gilmar diz que errou ao citar “boneco homossexual” de Zema

O ministro Gilmar Mendes no STF. Foto: Victor Piemonte/STF

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), reconheceu ter errado ao citar a homossexualidade como exemplo de possível ofensa ao comentar os limites de sátiras políticas. A retratação ocorreu na noite de quinta-feira (23), depois de uma entrevista ao Metrópoles sobre a troca de acusações entre o decano da Corte e o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, do Novo.

Durante a entrevista, Gilmar falava sobre o vídeo “Os Intocáveis”, feito por inteligência artificial e publicado por Zema nas redes sociais, em que ministros do STF aparecem representados por fantoches.

Ao defender que homens públicos devem responder por conteúdos que atinjam instituições e pessoas, o ministro citou uma hipótese envolvendo o ex-governador.

“Se começamos a fazer piadas com coisas sérias, com as instituições… Imagine que comecemos a fazer bonecos do Zema como homossexual. Será que não é ofensivo? Se fizermos ele roubando dinheiro no Estado, será que não é ofensivo? É correto brincar com isso? Homens públicos podem fazer isso? É isso que precisa ser avaliado”, disse Gilmar.

Horas depois, o ministro usou o X para admitir o erro. “Há uma indústria de difamação e de acusações caluniosas contra o Supremo. Vou enfrentá-la. E não tenho receio de reconhecer um erro. Errei quando citei a homossexualidade ao me referir ao que seria uma acusação injuriosa contra o ex-governador Romeu Zema. Desculpo-me pelo erro. E reitero o que está certo”, afirmou.

A entrevista foi concedida às jornalistas Manoela Alcântara e Marília Ribeiro. Nela, Gilmar também explicou por que pediu a inclusão de Zema no Inquérito das Fake News, relatado pelo ministro Alexandre de Moraes. O pedido foi feito após a publicação do vídeo em que o ex-governador usa fantoches para simular diálogos entre Gilmar e Dias Toffoli.

Na queixa-crime, o decano afirma que Zema “vilipendia não apenas a honra e a imagem do Supremo Tribunal Federal, como também da minha própria pessoa”.

O ministro também classificou a produção como “deep-fake”, feita com “sofisticada edição profissional”, e diz que a publicação teria “claro intuito de vulnerar a higidez desta instituição da República, com objetivo de realizar promoção pessoal”.