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O silêncio estrondoso das jornalistas brasileiras diante da morte da colega Amal Khalil por Israel

Amal Khalil, assassinada por Israel quando trabalhava no sul do Líbano

Israel matou a jornalista libanesa Amal Khalil em 22 de abril de 2026, durante um ataque aéreo no sul do Líbano, enquanto ela exercia sua profissão. Correspondente do jornal Al-Akhbar, ela cobria os bombardeios israelenses na região e já havia recebido ameaças diretas do Mossad, que exigia que deixasse o trabalho ou o país. Amal permaneceu. Seguiu trabalhando até ser eliminada.

Você não ouviu ou ouvirá um pio de suas colegas brasileiros. Nem das descendentes de libaneses.

No dia do ataque, ela estava com a fotógrafa Zeinab Faraj na estrada entre Hadatha e Tayri, uma rota conhecida por jornalistas que acompanham os efeitos de bombardeios.

Um primeiro ataque atingiu um veículo ao lado. As duas pararam, saíram do carro e tentaram se proteger. Em seguida, um novo bombardeio as forçou a correr até uma casa. O terceiro ataque atingiu diretamente a estrutura, que desabou. Zeinab sobreviveu com ferimentos graves. Amal ficou soterrada.

O resgate não foi imediato. Equipes de emergência foram impedidas de acessar o local por novos disparos e ataques na região. Segundo relatos, Amal ainda conseguiu se comunicar após o primeiro bombardeio. Suas últimas palavras foram um pedido de socorro: “Estou esperando o Exército libanês vir nos salvar”. Ela aguardou por horas. Quando o acesso foi liberado, já estava morta.

Desde 7 de outubro de 2023, ao menos 15 jornalistas foram mortos no Líbano em ataques de Israel, além de 18 feridos. Há registros de bombardeios contra profissionais identificados, mortes em residências e ataques próximos a áreas civis. Também foram documentadas ações como bloqueio de ambulâncias, destruição de vilarejos e denúncias de saques por militares em áreas atingidas.

Amal não era apenas uma repórter corajosa. Era uma das principais referências na cobertura do sul do Líbano, conhecia o território, as comunidades e a dinâmica dos ataques. Amava seu país. Já havia sobrevivido a um atentado a tiros meses antes. Continuou na luta mesmo após ameaças diretas. Sua atuação era reconhecida por colegas e por quem acompanhava o conflito de perto.

A morte de Amal Khalil se soma a uma sequência de assassinatos de jornalistas por Israel. O padrão inclui ameaças prévias, identificação profissional ignorada e ataques em áreas onde há presença conhecida de imprensa.

O episódio não gerou reação no jornalismo brasileiro. Não houve mobilização, manifestações consistentes, sororidade, ou algum comentário sobre esse horror, por mais fortuito que seja. Só o silêncio cúmplice de quem acha que uma vida vale mais do que outra — e uma morte também.