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Líderes religiosos impulsionam movimento contra o voto feminino nos EUA

Mulheres sufragistas na França, durante as campanhas do movimento que lutou pelo direito ao voto feminino, em 1930 – Foto: Reprodução

Nos Estados Unidos, tem ganhado força um movimento que questiona o direito das mulheres ao voto, alimentado por influenciadores e líderes religiosos. O debate foi alimentado por declarações como as de Nick Fuentes, influenciador de ultradireita, que afirmou que eliminaria o direito de voto das mulheres. Em um podcast, Fuentes afirmou: “Eu eliminaria o direito ao voto de centenas de grupos, das mulheres, com certeza”, gerando grande repercussão.

Entre os defensores desse movimento, algumas figuras religiosas também se manifestaram contra o voto feminino. Doug Wilson, pastor da Igreja de Cristo, que integra a Comunhão de Igrejas Evangélicas Reformadas, defende a ideia de um “voto por família, mas decidido pelo marido”. Essa proposta tem sido discutida em círculos conservadores e gerado polêmica, especialmente em relação ao papel das mulheres na política.

Dale Partridge, outro líder religioso, também é um dos defensores da ideia de uma submissão das mulheres aos maridos. Em suas declarações, Partridge afirmou que as mulheres “votam de forma emocional” e que “a política nacional está feminizada”. Ele defende que a 19ª Emenda, que garante o direito de voto às mulheres nos EUA, seja revisada.

A 19ª Emenda, que foi ratificada há 126 anos, transformou os Estados Unidos em uma democracia plena ao garantir o direito de voto às mulheres. Agora, em um momento de crescente influência da ultradireita, a proposta de revisão da 19ª Emenda volta a ser debatida. Embora não se proponha diretamente a revogação da emenda, há propostas para criar barreiras que dificultem o voto feminino, especialmente em contextos como o da reforma eleitoral proposta pelo governo Trump.

O influenciador de ultradireita Nick Fuentes.

Em fevereiro, o pastor Dale Partridge publicou um post no Instagram afirmando que as mulheres “votam de forma emocional” e que isso influencia a política nacional. Ele propôs o fim da 19ª Emenda, um movimento que vem ganhando adeptos entre os mais conservadores e que também é apoiado por outros influenciadores ligados à ultradireita.

Essa postura tem gerado reações intensas em diversos setores da sociedade. A proposta de desfazer os direitos conquistados pelas mulheres no voto é vista com preocupação por ativistas de direitos humanos e defensores da igualdade de gênero. Para muitos, isso representa um retrocesso nas conquistas femininas e um ataque aos direitos das mulheres.

Além disso, o apoio a essa campanha tem se expandido para outras áreas, com mulheres conservadoras defendendo a ideia de um “voto por domicílio”, onde apenas um membro da família, geralmente o homem, teria direito ao voto. Este movimento tem ganhado espaço em alguns círculos religiosos e entre grupos que se opõem à crescente participação feminina na política e nos direitos civis.

Esse movimento contra o voto feminino vem ganhando atenção internacional, com debates acirrados sobre o impacto de tais propostas nas eleições e na democracia americana. A crescente defesa da revisão da 19ª Emenda reflete as tensões políticas nos Estados Unidos, especialmente no contexto das próximas eleições e do debate sobre o papel das mulheres na política.