
Romeu Zema não sabe quem é Adélia Prado, a mais importante poeta mineira viva. Em fevereiro de 2023, o então governador dava entrevista a uma rádio de Divinópolis, quando o jornalista Flaviano Cunha o presenteou com um livro de Adélia, que nasceu na cidade.
“Muito obrigado, muito bonito o livro aqui, vou fazer bom uso com toda certeza”, disse Zema, que logo depois perguntou: “Ela trabalha aqui?”
O sujeito achava que Adélia Prado trabalhava na rádio. Foi mais do que uma gafe. Foi mais uma prova do tamanho das ignorâncias (no plural) da direita brasileira.
Romeu Zema é uma tartaruga no poste, por ser de família milionária e por ser esdrúxulo. Os mineiros gamaram por Zema, o estranho, o incapaz de saber quem é uma das maiores escritoras brasileiras, uma poeta que é também contista e romancista.
Zema é da mesma turma de Ibaneis Rocha, em Brasília, e de muitos outros que subiram no poste por serem ricos excêntricos. E esse Zema é agora considerado também um radical, por seus ataques ao ministro Gilmar Mendes e ao supremo.
O Estadão publicou nesse domingo uma reportagem com o seguinte título: “PL avalia que Zema ‘radical’ perde força para ser vice de Flávio”.
Como Flávio seria um extremista, mas moderado, Zema não pode ser companheiro de chapa. O mineiro conseguiu ser mais radical do que o filho ungido pelo pai assumido como terrivelmente cruel e extremista.
Claro que a moderação é uma farsa. Flávio precisa calibrar o discurso e as atitudes políticas, para se livrar da acusação de que repete tudo o que o pai fazia. Zema na chapa não ajudaria muito.
O Estadão informa: “Bolsonaristas acreditam que ataques a ministros do STF, como os que faz o ex-governador de MG, ‘assustam’ independentes, eleitorado que Flávio Bolsonaro precisa atrair”.

O raciocínio do bolsonarismo é lógico: se Flávio já tem a base bolsonarista raiz, não precisa de um Zema para reforçar o que já é. Zema seria um estorvo.
Flávio precisa de um moderado como vice e não pode ter alguém ao seu lado que já disse o seguinte, em 2023, em entrevista ao mesmo Estadão: “O Nordeste é vaquinha que produz pouco”.
Zema acha que o Nordeste é um animal de baixa produtividade. E Flávio precisa ampliar o alcance do bolsonarismo no Nordeste, o reduto de Lula. Com essa tartaruga?
O cenário hoje surpreende até jornalista com a trajetória e a sabedoria de um Elio Gaspari, que há duas semanas citou Zema e Caiado com chance de virem a ser a terceira via de centro.
As tartarugas enganam quem quer ser enganado. Zema, que pretende vender a Petrobras e o Banco do Brasil e cortar o Bolsa Família, só pode ser parado, no meio do poste, pela extrema direita raiz. Zema é um problema deles, e não de Lula.